Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 25/08/2024

Segundo a ativista Simone de Beauvoir, “Não há crime maior que destituir o ser humano de sua própria humanidade, reduzindo-o à condição de objeto”. É nesse sentido que torna-se necessário debater a questão do sedentarismo na sociedade contemporânea. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de manutenção dos espaços públicos de lazer e a exploração do sistema capitalista.

A princípio, há de ser analisada como a precariedade de ambientes de lazer difi-culta o estímulo dos indivíduos a praticar atividades físicas. De acordo com Henry Lefebvre, filósofo, em sua obra “Direito à cidade”, todos têm direito a espaços urba-nos de qualidade. Nessa conjuntura, pode-se perceber que essa perspectiva des-toa da contemporaneidade, pois ambientes, principalmente aqueles voltados ao lazer, são constantemente abandonados pelos governos locais, os quais deveriam zelar por eles. Dessa forma, há o impedimento de locais adequados para exercitar-se, o que acarreta hábitos sedentários.

Em segunda análise, tem-se a exploração do sistema capitalista, a qual dificulta hábitos de vida mais saudáveis, o que intensifica o sedentarismo. Segundo o site edgarlisboa, o sedentarismo encontra-se em cerca de 60% da população mundial. Assim sendo, pode-se associar parte dos maus estilos de vida com a quantidade de trabalho desproporcional por horas durante a semana. Em outras palavras, fazer parte de um sistema socioeconômico construído pela desigualdade, torna as esco-lhas para os momentos de descanso como uma responsabilidade a mais, pois seria preferível optar por atividades que são genuinamente do próprio gosto do que se forçar a sair da zona de conforto e, por exemplo, praticar exercícios físicos.

Depreende-se, portanto, que é necessário uma intervenção para combater o se-dentarismo, considerado o mau do século. Dessa forma, cabe aos Estados fornecer ambientes públicos de lazer de qualidade, para permitir maior acesso pelas popu-lações, além de à mídia realizar campanhas que incentivem hábitos mais saudá-veis. Tais ações, em conjunto, têm o potencial de diminuir o índice de sedentarismo e melhorar a saúde e bem-estar social. Somente dessa maneira a humanidade das pessoas será restituída.