Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 28/10/2024

Na animação norte-americana “Wall-e”, retrata-se o cenário futurista da Terra, em que a população humana vive de forma sedentária e dependente do controle tecnológico. Assim como na ficção, são nítidos os malefícios do sedentarismo na contemporaneidade. Logo, é uma realidade a presença das assimetrias sociais e o trabalho exploratório.

Diante desse cenário, é valido salientar, a desigualdade como um fator de insegurança alimentar. Nessa perspectiva, o sociólogo Karl Marx, na obra “O capital”, afirma que o modo de produção capitalista está atrelado às assimetrias sociais. De maneira análoga ao pensamento de Marx, é indiscutível a presença da subalimentação nas sociedades contemporâneas, haja vista a precarização salarial no sistema capitalista, a exemplo da insuficiência de vales-refeições e a baratização de alimentos processados. Isso acontece porque, o liberalismo econômico é formulado a partir da exploração trabalhista e da concentração monetária. Dessa forma, a insegurança alimentar é um óbice, pois pode cooperar ao sedentarismo.

Além disso, cabe ressaltar, que o intenso ritmo de trabalho dificulta a execução de hábitos saudáveis. Nesse viés, o filósofo Byung-chul Han, em sua obra “Sociedade do cansaço”, relata a naturalização da cobrança excessiva por produtividade e por resultados, o que pode levar o sujeito à exaustão. Nessa ótica, a partir do raciocínio de Han, nota-se que, devido ao exaurido empenho na área profissional, muitos indivíduos não praticam atividades físicas e não se alimentam saudavelmente, fatores esses que podem contribuir para o aparecimento de doenças tanto físicas como mentais. Desse modo, percebe-se uma grave ruptura na atual conjuntura.

Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que o sedentarismo é um empecilho na modernidade. Urge, portanto, que o Ministério do Trabalho -órgão responsável pelas políticas públicas trabalhistas- faça projetos legislativos quanto ao aumento subsidiário do vale-alimentação e a redução da carga horária de trabalho, por meio de aprovações constitucionais e verbas estaduais voltadas ao social, para que a sedentarização das atuais sociedades seja subtraída. Pois, somente assim, o contexto de “Wall-e” diferirá da realidade contemporânea.