Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 27/12/2019

A  exclusividade ilusória

A revolta da vacina, ocorrida no Rio de Janeiro em 1904, foi um motim da população em resposta à campanha de vacinação obrigatória do governo e à reforma urbana que possuía como objetivo a modernização da cidade. Com isso, os habitantes de baixa renda prévios do centro foram removidos e marginalizados dando lugar a um público mais elitizado. Nesse sentido, é fato que esse acontecimento histórico ainda se relacione com a atualidade, visto que as classes mais ricas buscam se diferenciar dos demais com base no seu poder aquisitivo, causando uma segregação social. Sendo assim, a análise acerca do mencionado torna-se imprescindível.

Em primeiro plano, cabe mencionar que a segregação almejada pelos mais ricos tem por objetivo uma autoafirmação de superioridade e o sentimento de pertencimento a uma determinada classe. Sob essa ótica, esses cidadãos tem interesse e procuram frequentar locais exclusivos, com tratamento especial para que possam se diferenciar da maioria que não pode arcar com as custas de tal diferenciação. Entretanto, esse comportamento trás resultados ilusórios, tendo em vista que a Constituição da República Federativa do Brasil, garante em seu artigo 5°, a igualdade a todos perante a lei. Com isso, evidencia-se que a mentalidade daqueles que buscam a superioridade baseada na segregação é fantasiosa quando a mesma não se consolida de acordo com a lei.

Ademais, é pertinente pontuar também que os cidadãos adeptos do conceito da diferenciação baseada no poder aquisitivo são uma “peça” fundamental para que esse contexto se perpetue. Com a venda de ingressos, os organizadores de eventos por exemplo, obtém maiores lucros ao se tratar de pessoas com o pensamento mencionado. Tal afirmação se confirma ao analisar a típica lógica de mercado capitalista baseada no lucro relacionada a mentalidade da segregação. Nesse contexto, os ingressos para camarotes, por exemplo, são vendidos em  quantidades menores e com valores mais altos, porém esse é o preço a se pagar aos que buscam exclusividade e têm interesse em afirmar uma determinada posição “superior” na sociedade. Assim sendo, o capitalismo incentiva e de certa forma justifica esse comportamento geocêntrico.

A partir do cenário apresentado, fica claro que a diferenciação social causada a partir do desejo de uma superioridade fantasiosa pelos mais ricos ao selecionar tratamentos e locais exclusivos não passa de um conceito criado pelo capitalismo. Contudo, ao não perceberem essa “manipulação” as classes sociais mais altas contribuem para que essa segregação se perpetue numa busca ilusória de autoafirmação e pertencimento a um determinado estrato da sociedade.