Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
“A história de toda sociedade existente até hoje é a história da luta de classes”. Com essas palavras, Karl Marx ressalta a contínua disputa entre a classe dominante e a dominada ao longo da história - entre senhores e escravos, nobres do feudo e servos, burguesia e proletariado - e, embora seja uma citação, apresenta atual relação com a segregação das classes sociais no Brasil, já que tal disputa promove uma enorme injustiça social. Sendo assim, quando observamos a desigualdade social, a desvalorização de sistemas públicos e o preconceito existente sobre camadas sociais mais baixas, urge pensar em soluções.
A construção de uma sociedade justa e solidária e a redução das desigualdades sociais são objetivos fundamentais da Constituição Federal de 1988, mas se encontram cada vez mais distante da realidade. Isso porque pequena parcela da população brasileira concentra a maior parte das riquezas. Desse modo, os mais pobres arcam com o maior peso dos impostos que não são investidos como deveriam, posto que muitas áreas essenciais para toda a população - escolas e universidades públicas e o SUS (Sistema Unitário de Saúde) - carecem de inúmeros recursos para se manterem com qualidade. Também podemos observar a degradação de áreas destinadas a lazer, como praças, jardins e parques públicos.
Além disso, o problema não se encerra em si. De acordo com Michael Sandel, em uma democracia é necessário que pessoas de diferentes posições sociais relacionem-se e sejam capazes de negociar e de respeitar as diferenças ao zelar pelo bem comum. Contudo, em meio a constante desvalorização desses bens, é possível observar o pensamento individualista - dado que poucos enriquecem à custa de muitos, priorizando apenas o próprio benefício - e preconceituoso - uma vez que pessoas de classes mais baixas são desrespeitadas diariamente por sua condição financeira e que muitas pessoas são impedidas de entrar em estabelecimentos comuns por conta de usar vestimentas simples. Por isso, propor soluções se torna imprescindível.
Portanto, a fim de ampliar o convívio social e melhorar a qualidade de vida, é fundamental que o Governo adote medidas para valorização do sistema público por meio de investimentos a ele destinados. Isso poderia ser feito com a restauração de espaços públicos, como praças, jardins e parques, e a disponibilização de melhores recursos às escolas, universidades e ao SUS. Além disso, também torna-se necessário que o Governo trate com maior vigor crimes de preconceito e, em parceria com o Ministério da Educação, realize campanhas educativas sobre a importância de respeitar as diferenças. Só assim poderemos solucionar uma questão tão complexa.