Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 05/05/2020
No Antigo Império Romano, era comum toda a comunidade ir ao Coliseu, um anfiteatro romano, ver peças teatrais e lutas de gladiadores, eram atividades de lazer comum entre todas as classes daquela sociedade. Hodiernamente, esse quadro de integração no Brasil não é um fato presente, já que a segregação de classes é uma marca nacional da desigualdade. Nesse contexto, torna-se evidente a compreensão deturpada de camadas mais opulentas da sociedade e a imperícia estatal na garantia da igualdade.
O fenômeno de camarotização acontece no Brasil com bastante força, o que prova a visão negativa de parcelas sociais mais ricas são responsáveis por parte dessa segregação. Diante desse fenômeno que, consiste na separação física de elementos da sociedade, pode ser explicada pela Teoria da Modernidade Líquida do sociólogo, Zygmunt Bauman. Segundo ela, nas últimas décadas as relações interpessoais ficaram mais vólateis e apáticas, o ser humano perdeu o senso de coletividade, substituindo-o pelo senso da individualidade, as consequências desse novo formato, molda pessoas de certa forma, individuais demais ao ponto de não serem adaptadas a conviver com outros grupos. Reforçando, assim, a separação entre grupos sociais e a intolerância.
Além disso, outra forma de ratificação da problemática é a negligência do Estado. Ainda que a Constituição Federal de 1988, assegure, por meio do artigo 6°, acesso igualitário à educação a todos seus cidadãos, a conjuntura atual mostra o contrário. Essa comparação é, tendo em vista que, os menores níveis de desigualdade são encontrados em nações que investem no ingresso democrático a uma alta qualidade de ensino, como por exemplo, a Finlândia, país que mais investe no mundo e, por conseguinte, possui o Coeficiente de Gini - dado estatístico que avalia a desigualdade de um país - como um dos mais baixos. Portanto, é indubitável que o segregamento social no país está diretamente ligado ao acesso à educação, já que o convívio entre alunos de diferentes classes fortifica a ideia de diversidade e integração.
Em suma, cabe ao Ministério da Educação(MEC), orgão do Poder Público responsável pela educação do Brasil, direcionar verbas, através de um novo Plano Nacional de Educação(PNE), para o ensino básico, o alicerce de uma boa trajetória na formação de um indivíduo, com finalidade de firmar a democratização de uma educação de qualidade e oferecer mesmas oportunidades. Ademais, urge que a família colabore, repassando bons exemplos de convivência e conduta, com fito de identificar possíveis práticas discriminatórias e segregacionistas e, remediá-las. Assim, será possível ter uma sociedade mais agregada entre si e, portanto, justa.