Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 13/05/2020
Como defendido por Karl Marx, a divisão das classes sociais é um fenômeno essencial para entender a dinâmica da sociedade. A distância entre as classes sociais cresce cada vez mais, e o abismo que surge entre aqueles que estão no topo da hierarquia social e aqueles que estão na base é reflexo também das barreiras urbanas e e psicológicas.
As grandes cidades, como São Paulo, refletem cada vez mais a exclusão social. Tendo em vista que grande parte da população moram nas periferias da cidade e que os espaços de lazer e cultura estão, em sua maioria, instalados no centro, nota-se a clara divisão social. As barreiras psicológicas criadas a partir dessa distribuição do espaço urbano faz com que os moradores das periferias permaneçam longe da participação democrática dentro da sociedade, e que frequentem os centro apenas para prestar serviços àqueles que estão acima na divisão de classes.
A medida que as pessoas se polarizam geograficamente, elas começam a saber cada vez menos a realidade umas das outras. O filme “O Poço”, faz analogia a essa segregação transformando a divisão das classes sociais em andares de um prédio que são chamados de níveis. Do primeiro ao último andar passam a refeições para pessoas que estão nesses níveis, sendo que a cada refeição é disponibilizado somente um banquete para todos, ou seja, se a pessoa estiver no primeiro nível ela consegue o banquete completo, e quem estiver abaixo fica com o que sobrar dos níveis acima. Dentro dessa metáfora o filme argumenta que há recursos para todos, mas só se torna realidade se os mais poderosos fossem capazes de compartilhar, o que não acontece, tanto no filme quanto na realidade, uma vez que os mais poderosos adquirem cada vez mais e não se preocupam em conhecer a situação daqueles que estão abaixo.
Como forma de diminuir a segregação das classes sociais, o Ministério do Desenvolvimento Regional deve aplicar medidas no planejamento urbano capazes de democratizar as áreas de acesso comum como centros comerciais, parques, praças e cinemas, levando-as para além dos centros, e também projetos capazes de suprir as necessidades de saneamento para moradias dignas de habitação com o intuito de diminuir os preconceitos associados ás periferias e consequentemente afrouxar as barreiras psicológicas.