Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 15/05/2020

O Artigo 5º da Constituição Brasileira afirma que todos são iguais perante a lei. Entretanto, com o avanço do capitalismo, nota-se que atualmente há uma distribuição desigual de renda, que culminou na “camarotização” de ambientes, em que a acomodação do sujeito depende do dinheiro que possui. A partir disso, no Brasil, encontra-se uma segregação das classes sociais. Tal fator configura-se como um problema, pois acentua a desigualdade social e acaba se tornando uma banalidade do mal.

Primeiramente, é importante ressaltar que, de acordo com pesquisas feitas em 2018 pelo IBGE, de toda a renda do Brasil, 40% estão concentrados nas mãos de 10% da população. Logo, as classes média e alta têm o desejo de mostrar que não fazem parte da parcela social menos favorecida, o que se evidencia pelo prestígio que as escolas particulares, os camarotes de shows e teatros têm. Assim sendo, a camada social menos privilegiada não se sente pertencente à sociedade, pois é ofuscada pelo “glamour” das demais classes. Então, a segregação social no Brasil aumenta cada vez mais, também acentuando a desigualdade social, afinal, quando determinada parcela da população é ofuscada, dificilmente sente-se no direito de reivindicar as mesmas oportunidades.

Contudo, há um fator que faz esse problema persistir no Brasil. Nota-se que tais atitudes preconceituosas são tão executadas na sociedade que passam a ser consideradas práticas normais, deixando de ser vistas como erradas. De tal modo, a segregação social neste país se encaixa no conceito de banalidade do mal, da filósofa Hannah Arendt, pois quanto mais se vê na mídia o avanço das classes média e alta, mais normal se considera que existam pessoas vivendo em situações de miséria. Ademais, quando uma pessoa menos privilegiada frequenta “ambientes exclusivos”, sofre preconceito por ser diferente e acaba se distanciando cada vez mais das classes prestigiadas. Devido a isso, a sociedade brasileira se mantém nesse ciclo de segregação, não colocando os indivíduos para conviver com as diversidades e, por fim, se coloca contra o ideal da democracia de todos viverem uma vida em comum.

Portanto, tendo esses fatores em vista, medidas devem ser tomadas para solucionar tal impasse. Cabe ao Ministério da Cultura efetivar eventos públicos, como shows, teatros e festivais, por meio de trabalhos voluntários e doações, a fim de promover a integração de todas as classes sociais. Além disso, é de suma importância que emissoras de televisão exibam programas e novelas educativos que condenem a prática da segregação social, para mostrar ao público que isso fere a constituição e a democracia. Enfim, o Brasil entrará em um processo de luta contra a segregação social e caminhará rumo a um país menos preconceituoso.