Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 16/05/2020

Na obra, “Capitães da Areia”, do escritor baiano Jorge Amado, é retratado um grupo composto por crianças e adolescentes marginalizados, eles vivem nas ruas de Salvador e são segregados e menosprezados pelas autoridades e por grande parte da população. Fora da literatura, tais problemas são uma realidade no Brasil, pois ainda há uma tendência de ignorar aqueles menos favorecidos, intensificando a distinção entre as classes sociais e a segregação sócio espacial. Dessa forma fica clara  a necessidade da elaboração de medidas para solucionar o impasse.

Precipuamente, é fulcral pontuar que  a camarotização dos espaços reforça todo estigma que já existe a respeito da população mais pobre. Primeiro que quem mora na periferia já não conta com espaços de lazer em seu entorno, porque não existem parques, museus ou teatros nas favelas. Então, quando essa população consegue frequentar tais lugares, são separadas por “ambientes exclusivos”. Isso faz com que elas não se sintam pertencentes àqueles lugares, traz constrangimento e perpetua preconceitos. Nesse sentido, é possível enquadrar a camarotização no conceito de banalidade do mal, da filósofa Hannah Arendt. De acordo com ela, atitudes preconceituosas passam a ser tão cometidas que se tornam banais e, por isso, até deixam de serem vistas como erradas, é o que acontece com a segregação dos mais pobres nos camarotes.

Somado a isso, pode-se inferir que a camarotização contribui para a desigualdade social. Atualmente, o Brasil já ocupa a décima posição no ranking de países mais desiguais do mundo, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Logo, a população, ao querer se separar e construir mais barreiras entre as classes, agrava esse problema. Essa separação é movida pelo desejo das classes médias e altas de mostrar que não fazem parte da parcela pobre da população, que têm status e a presença em camarotes serve para atestar isso. Todavia, essa atitude prejudica o cenário social do país e faz as soluções dos problemas ficarem cada vez mais distantes, pois, como diz o geógrafo Milton Santos, “uma sociedade alienada enxerga o que separa, e não o que une seus membros”.

Fica claro, portanto, que se trata de um problema social que alimenta aspectos negativos da realidade brasileira. Para amenizar as consequências da camarotização, o Ministério da Cultura deve promover eventos públicos como festivais, shows e exposições e proibir neles espaços cercados ou separados a fim de promover a integração das classes. Em soma, emissoras de televisão podem fazer programas educativos e novelas explorando o tema de forma a não “glamourizar” a segregação, visto que são formadoras de opinião e possuem grande influência sobre as pessoas.