Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 08/05/2020
O imperialismo marcou a expansão territorial de alguns países europeus sobre a América e a África, nos séculos XIX e XX. Nesse cenário, as nações exploradas passaram a viver sob dominação exaustiva dos imperialistas. Com isso, tornou-se evidente a desigualdade socioeconômica resultante desse sistema de exploração. Analogamente ao contexto hodierno, o imperialismo europeu deixou seu legado ideológico no Brasil: a segregação das classes sociais. Assim, essa problemática resulta não só das históricas ideologias de superioridade social, como também do falho sistema democrático brasileiro.
A princípio, a valorização de teorias de superioridade social acabam por intensificar a marginalização de classes no Brasil. Nesse viés, Herbert Spencer - sociólogo fundador do Darwinismo Social - explicava a miséria pelo baixo desenvolvimento intelectual e genético dos menos favorecidos. Desse modo, a teoria de Spencer exemplifica o cenário histórico de egocentrismo e preconceito que torna vários países - inclusive o Brasil - incapazes de evoluir enquanto corpo social. Ademais, tais ideias egoístas de inferioridade de classes acabam por se tornar um obstáculo à isonomia social, na medida em que manipulam a comunidade a confiar nos irresponsáveis argumentos biológicos, mas não retratam a principal origem do desequilíbrio social: as históricas explorações imperialistas.
Além disso, as falhas do sistema democrático brasileiro reforçam o cenário das distinções sociais no país. Nesse sentido, o modelo econômico e político da social-democracia - no qual o Estado é provedor da justiça social no sistema capitalista - garante que toda a população tenha acesso a serviços básicos como educação e saúde de qualidade. Dessa maneira, países sociais-democratas - como a Finlândia - alcançam os menores índices de desigualdade social. Por conseguinte, ao ignorar os princípios desse modo de governo, o Brasil constrói um sistema que ameaça o bem-estar da grande massa populacional, ao passo que restringe os benefícios supostamente democráticos à uma minoria. Visto isso, não é razoável que o Brasil se autodeclare Estado Democrático de Direitos, mas ignore um princípio fundamental: a isonomia de classes.
Portanto, diante da problemática brasileira de discrepâncias sociais, é preciso mitigar essa realidade. Para isso, cabe ao Ministério do Desenvolvimento social propor medidas de melhoria do bem-estar comum, por meio de reformas sanitárias e da construção de escolas e unidades básicas de saúde nas áreas mais carentes - mapeadas previamente- além da criação de campanhas televisivas que estimulem a isonomia e a fraternidade, não só a fim de desconstruir ideologias preconceituosas, mas também de promover a justiça social com base na social-democracia. Sendo assim, é possível viver em uma sociedade mais justa e igualitária, conforme as heranças imperialistas são amenizadas.