Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 14/05/2020

O filósofo alemão Karl Max cunhou, no século XIX, o termo “luta de classes” para designar a conflituosa relação entre o proletariado e a burguesia no contexto do modelo capitalista. Hodiernamente, o Brasil possui uma segregação de classes sociais que possui reflexos negativos em uma parcela significativa da sociedade. Tal problemática é fruto de uma herança histórica e potencializa a desigualdade e o preconceito.

É imperioso destacar, primeiramente, que a segregação de classes é fator presente desde o Brasil Colônia. Nesse sentido, a formação do povo brasileiro se deu por um processo de exploração dos negros que chegaram no século XVII através das caravelas portuguesas para trabalhar nos canaviais. Ademais, a elite portuguesa que era formada por senhores do engenho, composta pelos europeus brancos, os quais mantinham milhares de negros em situação subumana de escravidão, humilhação e miséria. Embora a lei Áurea, de 1888, da princesa Isabel, tenha dado liberdade aos escravos, a lei não garantiu terras, moradia e nenhum direito, fazendo com que estes permanecessem pobres e, assim, acentuando a segregação social. Nessa ótica, é inegável que isso é um problema histórico.

Outrossim, a histórica segregação tem sido promotora de desigualdades sociais e preconceitos raciais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de metade da população vive com menos de salário mínimo. E, como consequência direta, aqueles que se encontram nas “classes C, D e E” dependem, exclusivamente, dos serviços de educação, saúde, e segurança do Estado que, em muitos casos, são péssimos e insuficientes. Em contrapartida, as camadas mais elitizadas gozam dos melhores serviços de educação, saúde e segurança privados devido ao alto poder aquisitivo. Tal contraste é visualizado claramente na cidade do Rio de Janeiro, onde uma elite vive em bairros luxuosos como Leblon e Ipanema; e a classe mais pobre habita as favelas e morros ao lado.

Em vista disso, é indubitável que o fator econômico potencializa o retrato de segregação social, além de acentuar o preconceito que os menos abastados sofrem. Portanto, é necessário que o país adote uma postura que atenue a segregação de classes. Logo, o Governo Federal, por meio do Ministério da Economia, deve criar postos de trabalho através das empresas privadas, com o objetivo de diminuir o desemprego e permitir uma ascensão econômica e, possível, acesso aos serviços e lugares semelhantes aos da classe nobre. Dessa forma, a segregação de classes será minimizada. Além disso, o Ministério da Cidadania deve fomentar, no corpo social, uma cultura de respeito as classes e diversidade cultural, por meio de propagandas na televisão e nas mídias sociais, com o fim de garantir o sentimento de igualdade e respeito na nação.