Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 05/05/2020

O Apartheid, foi um regime totalitarista que ocorreu na África do Sul, em que resultou na segregação entre negros e brancos, onde, brancos eram mais favorecidos sobre a população negra. Embora esse regime já esteja extinto, percebe-se que as ideologias do Apartheid se mantém, até os dias de hoje na sociedade brasileira, ao se analisar a segregação social entre pessoas com maior poder aquisitivo e a população população menos favorecida. Isso deve-se, ao capitalismo em vigor e a “camarotização” da sociedade brasileira.

Em primeira análise, fica evidente a participação do capitalismo nessa separação social, uma vez que, se vende um status social, onde, somente pessoas ricas conseguirão usufruir do mesmo. No filme “O Poço” é retratado, de forma bem metafórica, a diferença entre classes sociais, em que, pessoas de níveis mais altos do prédio tinham fartura de alimentos, enquanto, as de níveis mais baixos, não tinham praticamente nada. Paralelamente a ficção, é visto que, na sociedade atual isso se efetiva, já que, pessoas de alto poder aquisitivo tem fartura e qualidade em seus produtos e serviços, por outro lado, pessoas menos abastadas, não conseguirão ter esse mesmo conforto, já que, é necessário ter remuneração considerável para poder usufrui-lo.

Ainda nessa perspectiva, nota-se a existência de uma “camarotização” na sociedade, esse termo é utilizado para descrever a formação de uma elite segregada do restante da população. O artigo 5º da Constituição Federal diz que todos os brasileiros são iguais perante a lei, sem nenhuma distinção, porém, essa lei não é uma realidade, já que uma pequena parcela da sociedade vive em regiões centrais de alto padrão, com boa infraestrutura e qualidade de vida, em contrapartida, existe uma parcela maior de pessoas mais pobres, vivendo nas regiões mais periféricas, onde o saneamento básico e a segurança são precários, como também, falta de estrutura e educação ineficaz, criando, assim, muros sociais na sociedade. A exemplo, pode-se citar, na cidade de São Paulo, o bairro de alto padrão do Morumbi e a favela de Paraisópolis ao seu lado, onde, vive uma elite, com muito luxo, e uma população com pouco qualidade de vida.

Conclui-se, portanto, que a segregação social deve ser mudada. Para isso, cabe ao governo municipal estabelecer leis, que definam limites justos de preço em serviços e produtos de qualidade, onde, ricos e pobres possam usufruir, de igual modo.  Como também, cabe ao mesmo, elevar o nível de estrutura e qualidade de vida de regiões mais periféricas, e reduzir o custo de vida de regiões centrais, fazendo, assim, que pessoas de todas as classes sociais possam conviver em harmonia entre si. Só assim, será construída uma sociedade longe dos ideais do Apartheid africano.