Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
O livro O quarto de despejo, da brasileira Carolina Maria de Jesus, traz uma narrativa verídica que denúncia a pobreza e segregação social das periferias. Nesse contexto, a enorme desigualdade social no Brasil, somado ao descaso governamental reproduzem um modelo nocivo de sociedade.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a segregação socioespacial é histórica, e reside na desigualdade social agravada pela desconsideração de governos com a população mais pobre. Desde o início do século XX, com a Reforma Pereira Passo, que demoliu os cortiços (habitações de pessoas pobres) do Rio de Janeiro a mando de governantes, há uma tentativa de esconder os cidadãos mais vulneráveis em favelas e não investir minimamente em estruturas básicas nessas áreas. Sob essa perspectiva, torna-se claro a irresponsabilidade do Poder Executivo frente as pessoas que mais carecem de políticas públicas.
Dessa forma, as consequências do problema se manifestam em uma marginalização de habitantes e uma cultura que é intolerante a diversidade. Hodiernamente, muitos indivíduos para escapar da pobreza saem da escola para percorrer caminhos perigosos, como a marginalidade; conforme o Conselho Nacional de Justiça, 60% dos menores infratores não estudavam na época que cometeram o primeiro crime, o que revela a gravidade da situação. Além disso, de modo inverso, há uma parte da sociedade que paga para conviver distante de pessoas pobres, é o caso de condomínios fechados, que são frequentados por uma determinada classe social com alto poder aquisitivo.
Torna-se evidente, portanto, que a segregação socioespacial é nociva para toda a sociedade. Para melhorar tal situação é necessário que o Ministério da Economia, a partir de politicas públicas, destine 50% das verbas de infraestrutura, como postos de saúde e escolas, para áreas periféricas como as favelas, a fim de haver menos desigualdade social em serviços, e oportunidades de ascensão longe da marginalidade.