Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 09/05/2020

De acordo com o artigo 3° da constituição Federal de 1988, é objetivo fundamental da república reduzir as desigualdades sociais e regionais. Entretanto, no cenário atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão da segregação das classes sociais. Isso ocorre, não só em função da herança histórica, mas também pela sensação de superioridade econômica. Dessa maneira, é indispensável analisar como tais fatores contribuem para evidenciar a problemática em questão.

Convém ressaltar, a princípio, que o legado histórico é um grande responsável pela complexidade do problema. Em face disso, o antropólogo, Claude Lévi-Strauss, defende que só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Sob esse viés, apesar de não ter entrado em vigor, a “Constituição da Mandioca” de 1823, é um exemplo claro da separação de classes sociais, uma vez que a participação eleitoral era pautada pelo voto censitário, ou seja, restrita apenas aos indivíduos que detivessem alta renda. Desse modo, fica evidente que a segregação social, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira.

Além do mais, a sensação de superioridade em razão da renda ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Essa premissa está fundamentada na teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do nazismo, que defende a existência de seres humanos superiores, a depender de suas características, nesse caso a condição econômica. Para ilustrar tal cenário, a série espanhola “Elite”, retrata a vida de adolescentes que estudam em uma renomada escola privada, na qual oferta bolsas de estudos aos alunos com vulnerabilidade econômica que acabam sofrendo preconceitos pelos demais por serem considerados, economicamente, inferiores a eles. Nesse contexto, a separação de classes fica ainda mais incisiva em ambientes nos quais ambas sociedades frequentam.

Torna-se evidente, portanto, que a questão da separação social precisa ser revista no país. Para tanto, o Ministério da cultura, em parceria com as mídias sociais, deve promover campanhas sobre a segregação de classes por meio de canais de televisão e faixadas de ônibus. Nesse sentido, o intuito da iniciativa é destacar a importância da diversidade, o que irá proporcionar, consequentemente, maior abrangência da discriminação entre diferentes condições sociais entre grande parte da população e romper com a mentalidade eugênica. Assim, os reflexos da Eugenia permanecerão nos livros de história, distantes da realidade brasileira.