Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 02/05/2020
A situação da pobreza no Brasil não é novidade e nunca foi empecilho para regras e leis serem criadas, beneficiando cada vez mais os ricos e diminuindo as expectativas de vida dos pobres ainda mais. A via de regra da democratização está se tornando cada vez mais como o doutrinador filósofo do Kibe Loco dizia “cada um no seu quadrado”.
Michael Sandel, diz que é cada vez mais difícil pertencer à classe da pobreza num sistema em que os bons momentos são comprados com dinheiro. E é exatamente essa realidade que cria muros sociais que trazem consequências muito maiores do que o simples isolamento e diferenças de classes em bairros e recursos.
No fim de 2013, aconteceu no Brasil o que podemos chamar de choque de realidade da sociedade contemporânea com os conhecidos “rolezinhos” – quando adolescentes de classes baixas, entravam em shoppings em grupo. Na época, foram marginalizados pelos seguranças e frequentadores dos espaços que os repulsava, pela mídia que os apresentavam como perigosos e oprimidos pelos pais – provavelmente pelo medo de terem suas crianças retalhadas pela segregação de espaços públicos frequentados por ricos.
Uma vez que o distanciamento social se torna impossível convivência por ambas as partes, se torna um atentado à própria democracia, que precisa de pessoas que sabem interagir e viver entre si, mesmo com diferenças sociais e estruturais. De acordo com Sandel, quando os mundos diferentes não se encontram e não conseguem coexistir, não há harmonia de convivência, portanto, não é possível que a democracia funcione.
Não há remédio de rápido efeito. Dar dinheiro ou tirar dinheiro, também não parece ser a melhor solução. Mas se houver medidas e espaços de nivelamento social e participação comunitária, independente de classe social, voltaremos a conviver e ver de perto como vivem outros semelhantes e diferentes, pensando e propondo uma democracia social, orgânica e principalmente funcional. Se o poder público executar corretamente seu papel com a educação – oferecendo ensino de qualidade em um ambiente seguro-, espaços públicos planejados - adequando parques e praças com equipamentos e brinquedos resistentes, de qualidade e confiáveis - executando planos e projetos sociais que propõem a transição e incentivo de quebra dos ciclos de estrema pobreza e pobreza. São medidas para que possamos então democratizar e de fato politizar o Brasil, além das fronteiras da segregação e sobrevivência diária para os horizontes da convivência social e qualidade de vida.