Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 14/05/2020

O desejo de manter a segregação social parece se multiplicar a cada dia, isso porque os indivíduos pertencentes às classes médias atualmente obtém acesso a “privilégios” antes direcionados para a elite, o que desfavorece os interesses desta que, deixando de ser abastada com tais benefícios, acaba por ficar no mesmo “patamar”, misturando-se às classes mais baixas e, consequentemente, aumentando o processo da camarotização que visa deixá-la ainda mais confortável diante da “perda” do “título” de distinção. Tal ato acarreta no desenvolvimento de preconceitos e limita as vantagens para um determinado grupo social, excluindo os demais. Nesse ínterim, é necessário que haja discussões mais amplas visando o entendimento do assunto e suas origens.

O processo histórico da atual República Federativa do Brasil é marcado por lutas em busca de direitos que aplaquem toda uma sociedade não elitizada, no entanto, ainda que anos tenham se passado desde a conquista de direitos – garantida a todos, inclusive, na própria Constituição Federal de 1988 – discussões sobre quem é “melhor” ou “pior” dentro das comunidades sociais ainda existem e se mantêm sob a precursão de que os melhores são aqueles que têm uma maior renda e, portanto, boa qualidade de vida. Dessa forma, a estratificação social se expande e permite a bajulação de alguns setores, sendo o Capitalismo um dos maiores responsáveis por isso, visto que visando o lucro permite que atividades sejam criadas e se voltem somente para um único tipo de classe social: a alta. Quando assim o faz, as demais classes tentam se igualar a esta e passam a repetir as mesmas ações, aumentando ainda mais a demanda da Lei da Oferta e da Procura dentro deste sistema. Nesse contexto surge o preconceito – racial e social – que aumenta a cada nova inovação, verbalizando o que se mostra presente na sociedade brasileira: o pensamento nocivo baseado no poder aquisitivo de tais cidadãos. Dessa maneira, o acesso a escolas e hospitais de boa qualidade, por exemplo, ficam restritos a quem pode pagar mais, sendo inacessível aos menos favorecidos.

Assim, ações governamentais devem ser realizadas: o Ministério da Cultura deve promover eventos que valorizem a música, o teatro, o cinema etc, mas deve fazê-lo sempre pensando no todo, de modo que os preços de tais festividades não estejam acima da renda da maioria dos brasileiros; é dever do Estado fiscalizar o cumprimento das leis em todos os setores, a fim de reduzir a questão do chamado “apartheid social”. Ademais, a sociedade em geral deve exigir o que é seu por direito para que assim todos os cidadãos possam conviver em harmonia, possibilitando o desenvolvimento de uma equidade próspera no País.