Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 02/05/2020

O filme “O Poço” disponibilizado pela Netflix, traz uma temática sobre um sistema prisional vertical, distribuído em níveis. Há uma plataforma que desce uma vez por dia com um grande banquete, logo, o primeiro nível recebe toda a comida, e o último sobrevive com o resto dos outros, e nenhum nível tem contato com o outro. Exemplificando a segregação das classes sociais e seus problemas na sociedade contemporânea. Sendo assim, é necessário avaliar a concentração de renda nas mãos das camadas mais ricas e a “camarotização” de espaços na sociedade brasileira.

Primeiramente podemos analisar a segregação socioespacial, referindo-se à periferização ou marginalização de determinados grupos socais por fatores econômicos, culturais e raciais no espaço urbano. O Artigo 5º da Constituição Federal de 1988 diz que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, entretanto, na realidade ocorre uma “camarotização” de espaços urbanos, ou seja, uma parcela populacional sente-se na obrigatoriedade de criar seu próprio espaço em estádios, escolas, hospitais, shoppings, entre outros, excluindo outras camadas sociais. Assim, causando uma amplificação da desigualdade social no Brasil.

Outrossim, de acordo com o sociólogo Karl Marx, “A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história da luta de classes”. Ao observar as regiões brasileiras, percebe-se a imensa desigualdade e consequentemente uma forte concentração de renda. O que é corroborado por dados do relatório da ONU em 2019, indicando que o Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo, sendo 1% mais rico concentra 28,3% da renda total do país, indicando que a riqueza está nas mãos de poucas pessoas no país. Destarte, podemos analisar claramente a gravidade da segregação social no Brasil e a necessidade de medidas para diminuir esse problema.

Portanto, é importante que diferentes classes sociais consigam conviver juntas no cotidiano, respeitando as diferenças, e trazendo uma maior harmônia social. Logo, é mister que que o Governo Federal invista em políticas públicas para diminuir a segregação socioespacial, construindo escolas, hospitais, áreas de lazer, entre outros locais, com qualidade, para assim serem usadas por todas as camadas da sociedade. Ademais, é necessário que haja um forte projeto do Governo Federal juntamente com o Ministério da Educação para ampliar o acesso escolar de pessoas com baixa condição financeira, investindo desde o ensino básico até a universidade, disponibilizando ao máximo uma igualdade de ascensão social, e assim, causando uma diminuição da concentração de renda nas mãos de poucos. Dessarte, a igualdade socioespacial e da instrução educacional já são grandes passos para reduzir a segregação social, como exemplificada no filme “O Poço”.