Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 06/05/2020

“Até que não existam cidadãos de primeira e segunda classe, até que os direitos humanos básicos sejam igualmente garantidos a todos sem distinção de raça, haverá guerra.” Na obra musical “War”, do cantor e compositor Jamaicano Bob Marley, cria-se a ideia da prevalência de conflitos enquanto houver desigualdades no mundo, acreditando que só haverá paz em uma sociedade justa e igualitária. Seguindo essa análise, a segregação das classes sociais no Brasil segue um contexto semelhante ao da obra, onde a “guerra” por espaços exclusivos e a ideia de superioridade social gera um ambiente tenso, marcado pelas desigualdades sociais, devendo, assim, ser analisada e combatida.               Primeiramente é fulcral pontuar que as desigualdades sociais no país é decorrente da baixa atuação de setores governamentais, em ações que coíbam tais fatos. Segundo as ideias do pensador Thomas Hobbes, o Estado deve condicionar o bem-estar populacional. Entretanto, essa realidade é oposta no Brasil. Devido a essa negligência, para a antropóloga Rosana Pinheiro, a segregação de classes gera diversas consequências, como a camarotização cada vez mais intensa, que modifica as relações interpessoais, culminando no aumento do preconceito e da discriminação de pessoas que não podem acompanhar esse estilo de vida. Portanto, deve-se tomar medidas para a resolução desse imbróglio.

Ademais, é imperativo ressaltar que os mais pobres são os mais afetados por tal quadro. De acordo com o escritor Chileno Pablo Neruda, “você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.” Partindo desse pressuposto, o “apartheid”, movimento ocorrido na África do Sul, em 1948, foi um perverso regime segregacionista que, embora de cunho racial, não deixa de expor o preconceito de classes existentes entre ricos e pobres. Na qual o negro sempre marginalizado e a beira da sociedade é impedido de integrá-la. Gerando, por consequência, em uma sociedade intolerante e uma ideia de superioridade social que se permeia também no Brasil, com a marca, segundo dados do IBGE, de 13,5 milhões na faixa da extrema pobreza, a obra de Marley fica notória sob o contexto atual e mostra que a “guerra” infelizmente continua.

Dessa maneira, impele-se que a segregação das classes sociais no Brasil deve ser combatida. Para isso, o Ministério da Cidadania, em parceria com o poder midiático, deve investir em campanhas e projetos sociais e educativos do tipo “slice of life”, que busca, através de exemplos do cotidiano, promover um maior impacto sob o público alvo, com antropólogos e cientistas sociais para a discussão da consciência e igualdade social. De modo que o Senado, em parceria com banqueiros, formem fundos de verbas a fim de oferecer cobertura monetária, e assim, manter o projeto eficiente, para diminuir as tensões e ter uma sociedade mais unida e igualitária e por fim a essa “guerra”.