Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 02/05/2020

Segundo o artigo 5º, da Constituição Federal, todos são iguais perante à lei, sem distinção de qualquer natureza, entretanto, a vida cotidiana demonstra que não há efeito prático do referido artigo, principalmente quando o assunto é segregação social. Nesse contexto, o Brasil segue costumes da Roma Antiga, com privilégios à elite da sociedade e separação de espaços que deveriam ser comuns ao público, ao invés de seguir o princípio da igualdade. Sob esse prisma, a segregação das classes implica diretamente na desigualdade social e na banalização de comportamentos preconceituosos, exigindo postura de órgãos governamentais e veículos de comunicação que amenizem o problema.

A priori, é válido consignar que a separação social iniciada na Roma Antiga, originou o termo “camarotização da vida social”, e está presente em vários setores da sociedade, tais como estádios de futebol, espetáculos e aeroportos. Nessa conjuntura, nota-se uma causa histórica que fomenta o capitalismo, o isolamento e o lucro das classes média e alta, com prejuízos ao cenário social do país, uma vez que os serviços públicos deveriam ser bons para serem de todos, sem distinção e desigualdade.

À luz disso, segundo levantamento de 2017, baseado no Índice de Gini, que mede a desigualdade e distribuição de renda, o Brasil ocupa a 7ª posição de País mais desigual do mundo, ou seja, um cenário prejudicado por influência de segregação, entre as classes sociais, que foi banalizado. Sob essa perspectiva, a filósofa, Hannah Arendt, criou a expressão “banalidade do mal”, e explicou que quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada.

Fica evidente, portanto, que há desigualdade social e banalização do preconceito. Nesse sentido, cabe à Secretaria de Cultura incentivar, por meio das escolas e mídias sociais, e com apoio dos Municípios e Estados,  investir na produção de espetáculos que visem à popularização de espaços homogêneos, sem distinção de espaços e classes, a fim de construir uma sociedade mais justa e cumprir o disposto no artigo 5º, da Constituição.