Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 12/05/2020
No livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, a separação entre grupos distintos é retratada com o contraste entre o sobrado de Miranda e o cortiço de João Romão que, mesmo localizados perto um do outro, estão imersos em realidades socioeconômicas totalmente opostas. Apesar de ter sido escrito 100 anos atrás, o livro evidencia pautas que ainda estão presentes no Brasil, como a abundante desigualdade social ao redor do país. Nesse contexto, é vital abordar a questão da segregação das classes sociais, visto que, essa temática passa, não só pela ocupação urbana desordenada, como também pela elitização de espaços públicos.
Em primeiro lugar, o processo de urbanização no Brasil teve seu início no século XX, impulsionado principalmente pela modernização do campo. Consequentemente, houve um grande número de pessoas que foram das áreas rurais para as urbanas, em busca de uma melhor qualidade de vida. No entanto, por falta de planejamento, muitos se depararam com uma realidade distante da esperada: a saturação do número de moradias. Esse inchaço urbano ocasionou a ocupação de regiões de risco em condições precárias, tais como saneamento básico, rede de transportes e acesso restrito à educação e serviços de saúde.
Ademais, os “rolezinhos”, que aconteceram no Brasil em 2013, consistiam em encontros, marcados por grupos de jovens da periferia, em shoppings de suas cidades. Contudo, esses lugares estão destinados a um público alvo, dado que, os preços dos produtos comercializados são elevados, o que excluí parte da população. Esse encontro de classes sociais diferentes gera um incomodo na mais alta, que faz o possível para não ser relacionada aos menos privilegiados. Com isso, fica evidenciado o fenômeno da camarotização, ou seja, a separação, com influência do capitalismo, de indivíduos de condições financeiras distintas, através da criação de camarotes em jogos de futebol e shows, nos desfiles das escolas de samba durante o Carnaval, espaços vip em festas e aeroportos, entre outros.
Portanto, fica claro que os direitos previstos pela Constituição Federal, como a liberdade de ir e vir e a igualdade perante à lei, não são aplicados de forma eficiente. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Cidadania, no exercício do seu papel social, promover uma situação mais digna à população marginalizada, por meio da ampliação de programas sociais, tal como o “Minha casa Minha Vida”. Além disso, cabe ao Poder Judiciário, destinar parte dos impostos arrecadados para o investimento no tratamento de esgoto e água, escolas e hospitais públicos, e segurança, a fim de diminuir a desigualdade, e consequentemente, a segregação social no país.