Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 15/05/2020

Em 2013, a revista Veja publicou “Os 10 mandamentos do rei do camarote”, um vídeo que rapidamente viralizou na internet. Tal produção apresenta um homem indicando todas as coisas consideradas imprescindíveis por ele, como possuir roupas de grife, carros caríssimos e uma entrada garantida no camarote das baladas, para que se alcance um status de poder e de importância perante a parte privilegiada da sociedade: a classe alta. Dessa forma, o vídeo explicita a discrepante realidade existente entre os mais ricos e os mais pobres no Brasil, na qual as classes baixas são sempre marginalizadas, tendo, assim, dificuldades para obter direitos básicos como a educação e a saúde.

Inicialmente, é importante ressaltar que a segregação das classes sociais hoje vista no país não é um costume recente. Na verdade, já era possível observar esse cenário há muito tempo, nas arenas de espetáculos da Roma Antiga, em que a elite das cidades já tinham um espaço privilegiado na platéia, separado das demais pessoas. Muitos séculos depois, já no Brasil, a Lei de Terras de 1850 assegurou a perpetuação dessa lógica de privilégio aos mais ricos ao obrigar a população a pagar pelas terras em que vivia, anteriormente concedidas pelo Estado. Dessa forma, as pessoas menos afortunadas, os escravos que em breve seriam libertos e os imigrantes que vinham em busca de trabalho ficaram no prejuízo por não conseguirem pagar por uma vida com direitos básicos como a moradia. Essa situação perdurou e é refletida no modo como a sociedade é segregada nos dias atuais.

Sendo assim, é viável apontar consequências negativas desse quadro. Em primeiro lugar, as classes mais baixas não têm condições financeiras de arcar com planos de saúde particulares. Por isso, precisam ser atendidas pelo SUS, sistema de saúde criado pelo governo, que não consegue suportar a demanda da população, pois os hospitais estão constantemente lotados e com escassez de medicamentos e de aparelhos. Assim, é gerada uma possível queda na expectativa de vida das pessoas financeiramente vulneráveis. Em segundo lugar, as famílias mais pobres normalmente tem a educação escolar feita pelas instituições públicas que, por falta de investimentos governamentais, não costumam conseguir entregar uma educação básica de qualidade aos alunos. Consequentemente, a taxa de analfabetismo nessa população é mais alta e a segregação social é afirmada.

Portanto, para aumentar a expectativa de vida das classes baixas, é importante que o Ministério da Saúde melhore a capacidade de atendimento da saúde pública, por meio do investimento nessa área, ao destinar verba para a construção de mais hospitais e para repor aparelhos em falta nos já existentes. Ademais, é imprescindível que o governo melhore o ensino básico público por meio de investimentos como materiais didáticos, visando melhor aprendizado por parte dos estudantes.