Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 04/05/2020

O filme “O preço do amanhã”, lançado em 2011, retrata uma sociedade na qual a ciência permitiu que o envelhecimento fosse banido, assim, cada habitante tinha um tempo determinado de vida que variava de acordo com a quantidade de dinheiro que cada um possuía. Dessa forma, existiam duas cidades: uma para os ricos e uma para os pobres. Fora da ficção, é fato que a segregação das classes sociais, consequência da camarotização – fenômeno que consiste na separação física de diversas esferas da vida -, é uma das maiores problemáticas contemporâneas que o Brasil enfrenta, causando um aumento das desigualdades sociais e, como resultado, um agravamento da violência urbana.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a divisão de espaços, que é feita com base nas condições financeiras de cada cidadão, intensifica a discrepância salarial entre os menos e os mais favorecidos. Para o filósofo alemão Karl Marx, o acesso desigual ao espaço e serviços coletivos têm suas raízes na divisão do trabalho. Nessa perspectiva, é evidente que a classe dominante detém as melhores condições de moradia, estudo, saúde e emprego, já que, o capitalismo possibilita uma barreira literal entre ricos e pobres. Assim, com todas as partes da vida divididas, as classes favorecidas contam com toda a produção intelectual e econômica, afastando os demais da ascensão social.

Por conseguinte, é importante destacar que, por conta da segregação espacial, existe uma multiplicação da violência urbana. No livro “O cortiço”, escrito por Aluísio Azevedo, o autor denuncia as péssimas condições de vida dos moradores de um dos primeiros cortiços cariocas, relacionando a pobreza com o aumento da violência que se instala na cidade. Apesar de o romance ser escrito em 1890, a obra ainda relata uma realidade brasileira, tendo em vista que, nesses locais desvalorizados e marcados pela ausência das instituições públicas, a população é excluída socialmente e espacialmente, agravando assim, o crime organizado que se instala com mais facilidade.

Portanto, é evidente que medidas precisam ser tomadas para resolver a segregação das classes econômicas no país. Para isso, é necessário que o Governo Federal e o Ministério da Educação criem projetos de formação profissional em comunidades e áreas periféricas, que deverão ser ministrados por professores formados em diversos setores profissionais, ajudando os jovens e adultos a entrarem em empregos mais valorizados. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Regional deve aprimorar os programas já existentes de moradia, aumentando a construção de casas e apartamentos voltados à população de baixa renda, elevando as condições de vida dessas pessoas. Somente assim, a divisão entre os mais pobres e os mais ricos deixará de ser uma realidade brasileira.