Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 03/05/2020

Machado de Assim, em sua fase realista, despiu a sociedade e teceu críticas dos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange a questão da segregação das classes sociais no Brasil. Dessa forma, observa-se que a problemática reflete um cenário desafiador, seja em virtude do preconceito da própria sociedades, seja pela insuficiência legislativa.

Sobre esse viés, pode-se apontar como empecilho à consolidação de uma solução, o preconceito da própria sociedade. De acordo com o IBGE, 14,4% das pessoas desempregadas são negros, pois não se encaixam nas características cabíveis, segundo os donos de empresas. Não só isso, mas esses maus olhos às diferenças existem dentro de espaços que deveriam promover uma segurança, como por exemplo nas delegacias com seus profissionais que as pesquisas mostram que a porcentagem de negros mortos por policiais é o triplo do número de brancos, conforme o site “Exames”. Nesse contexto, ver-se a necessidade de conscientização, também, da população para aceitar as divergências e diversidades que vivem no meio de uma comunidade.

Ademais, nessa temática, é o problema causado pela insuficiência legislativa que há no país. Em conformidade com o site “Carta Capital”, a população carcerária do Brasil chegou ao número de 622.202 presos, dos quais 61,6% são negros e muito deles encarcerados injustamente porque o Poder Jurídico não revoga. Assim, mostra-se, infelizmente, uma barreira complexa de ser ultrapassada e quase que impossível já que a situação é bem grave; em que não há um público considerável que fecham suas mentes para ver as multiplicidades.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para que venham ocorrer mudanças em relação a segregação das classes sociais no Brasil. Porquanto, o MEC deveria expandir o conhecimento sobre o assunto em locais de aprendizado e por meio de materiais, físicos ou virtuais, promover um espalhamento da mensagem de comunhão entre todos não importando cor, nacionalidade ou poder aquisitivo; fazendo palestras em ONG’s com o objetivo de mostrar o quão imprescindível é o respeito acima de tudo. Já o Poder Jurídico, deveria punir a cada um que faz o preconceito acontecer e que por muitas vezes passa desapercebido colocando as leis em prática e julgando aos criminosos com a finalidade de que a justiça seja feita. Só com essas iniciativas iríamos perceber uma transformação no espaço em que vivemos e uma melhoria na situação da problemática. Por fim, é preciso que a sociedade brasileira olhe de forma mais otimista à diferença, pois como constatou Hannah Arendt: “A pluralidade é a lei da terra”.