Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 03/05/2020

Posteriormente a abolição da escravidão Africana no Brasil, a população continuou dividida, excluindo parcela expressiva dos negros para áreas periféricas das grandes cidades, reconhecidas hoje como “Favelas” e constituídas por uma população carente, independente de cor. Nesse contexto, convém analisar o peso histórico que corrobora o atual cenário brasileiro, frente a segregação das classes. Assim, torna-se indubitável analisar as causas, consequências e medidas diante disso.

A priori, o Brasil dividido em classes sociais é reflexo da sua construção histórica impregnada culturalmente à população. Evidência disso recai aos rótulos do senso comum que são atribuídos à lugares, serviços, profissões e pessoas. Segundo entrevista publicada pelo jornal Folha de São Paulo, com o professor da Universidade de Harvard, Michael J. Sandel, “o erro é pensar que serviços públicos são apenas para quem não pode pagar por coisa melhor”, e classifica-los por classes. Nesse sentido, é lícito afirmar que, lamentavelmente, essa segregação torna-se ainda mais perceptível quando a todo momento a população é convidada a pagar por qualidade, uma vez que, a excelência dos bens comuns são fruto, não somente, do investimento do Estado mas, sobretudo, do valor que a população atribui a estes.

Além disso, a falta de alteridade contribui para a manutenção das classes sociais. Nesse sentido, a exemplo da educação, a desvalorização do bem comum torna ainda mais distante a equidade do ensino no Brasil. Segundo relatórios do IBGE, em média, apenas 30% dos alunos vindos de escola pública ingressam ao ensino superior, sendo um contexto dominado por indivíduos da rede particular. Assim, essas diferenças estatísticas infelizmente confirmam as consequências da população dividida.

Portanto, a fim de atenuar a segregação das classes sociais no Brasil, o Poder Legislativo deve agir, por meio da garantia de 50% de bolsas gratuitas em escolas particulares de ensino fundamental e médio, para alunos que comprovem renda de até um salário mínimo, instituindo a Lei aos poucos ao longo de todo o país, com a finalidade de tornar o acesso a educação particular mais democrático. Assim, haverá o início do maior contato com pessoas de diferentes classes sociais.