Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 03/05/2020

Por volta dos anos 1970, o apartheid era um regime vigente na África do Sul, o qual consistia da segregação do espaço de forma a dividir a população entre negros e brancos, que apesar de serem a minoria tinham privilégios dentro do sistema. No Brasil atual, apesar do direito de igualdade ser garantido por lei, a desigualdade de renda e o sucateamento dos serviços públicos impedem a sua efetivação para todos os brasileiros.

Em primeiro plano, é possível apontar as crescentes diferenças socioeconômicas como agravantes do quadro. Nesse sentido, dados do índice de Gini, ferramenta que mede o grau de desigualdade e corrupção dos países, sendo os melhores aqueles próximos de zero, aponta o Brasil como um dos piores, entorno de 0,7. Destarte, tais dados podem ser comprovados ao observar como a concentração de renda influi no acesso desigual aos meios básicos de consumo, como moradia e educação. É o que ocorre, por exemplo, em grandes cidades nas quais há cada vez mais um contraste físico entre os bairros de classe alta, com empreendimentos luxuosos, e aqueles de classe baixa, com habitações de risco.

Outrossim, o mau funcionamento das estruturas e serviços públicos dificulta o nivelamento de ambientes comuns entre os brasileiros. Nesse contexto, a filósofa Hannah Arendt fala sobre a importância do espaço público para a efetivação da cidadania, por constituir um ambiente de trocas entre os indivíduos. Nesse sentido, a escassez de investimento para os recursos públicos, além de não garantir o suprimento de direitos básicos entre os brasileiros, como educação e saúde de qualidade, promove o distanciamento de classes. Consequentemente, o que se observa é o aumento de empreendimentos privados, como escolas e centros comerciais, que devido às taxas cobradas, restringem o acesso de pessoas mais carentes.

Dessarte, tendo em vista os fatos expostos, fica clara a necessidade de mitigar a segregação de classes sociais no Brasil. Portanto, cabe ao Poder Executivo garantir o acesso aos direitos básicos a todos os brasileiros, por meio do direcionamento efetivo de subsídios aos serviços públicos básicos, como transporte e saúde, com a realização de manutenções frequentes no seus aparatos, de forma a promover a utilização por todos os cidadãos, independente de renda. Além disso, é preciso democratizar o acesso à cultura. Isso pode ser feito por meio da criação de um cartão de desconto em cinemas e livrarias, voltado para indivíduos de baixa renda. Dessa forma será possível a aproximação entre brasileiros, em prol do convívio comum, tornando a realidade da África do Sul cada vez mais distante.

garantir o acesso aos direitos básicos a todos os brasileiros.