Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 04/05/2020
“Camarotização” e derretimento da democracia
A segregação social é o isolamento de um grupo em determinada área, que usa a classe social do indivíduo como medida de discriminação. Na contemporaneidade, esse processo é intensificado por meio da “camarotização”, exemplificada, no Brasil, pela distinção entre escolas públicas e privadas. E, além disso, a segregação pode ser precursora do derretimento da democracia.
Em primeiro plano, observa-se que, segundo o filósofo Michael Sandel, a “camarotização” é a separação entre classes distintas, por meio do alto preço que é colocado nas coisas essenciais à vida. No Brasil, exemplo disso é o abismo existente entre escolas públicas e privadas, que demarcam a divisão e a superioridade. Secundo o Ministério da Educação, considerando as escolas com as maiores notas, 18% são públicas e 82% são particulares. Assim, é evidente que os alunos da rede privada têm melhores desempenhos, não apenas na qualidade de ensino, mas também porque, também segundo o MEC, quatro em cada dez professores do ensino médio do país dão aulas de disciplinas para as quais não tem formação específica.
Nesse contexto, observa-se que a desigualdade social é ampliada com a existência dos lugares que inviabilizam o contato entre classes distintas. Assim, percebe-se a formação de um cenário de desigualdades, que é, segundo o filósofo Bauman, o espaço ideal para o processo de derretimento da democracia. Isso, uma vez que os mecanismos de sobrevivência e de vida aceitável se tornam objetos de rivalidades entre os bem providos e os necessitados e abandonados. Logo, observa-se que, os transportes públicos, por exemplo, por serem espaços utilizados, majoritariamente, por classes sociais mais baixas, não recebem todos os investimentos governamentais necessários para o seu correto funcionamento.
Conclui-se, portanto, que a segregação social é intensificada por meio da “camarotização”, e, pode ser precursora do derretimento da democracia. Assim, é importante que o MEC diminua as disparidades existentes entre escola públicas e privadas, por meio da valorização dos professores, com a disponibilização de cursos que promovam maior qualificação dos professores. Assim, a segregação social e os objetos de rivalidades entre os bem providos e os necessitados poderão ser minimizados.