Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 12/05/2020

Em um panorama global focado no bem-estar, é paradoxal que a segregação das classes sociais no Brasil ainda forje um enfadonho destino a uma miríade de indivíduos abandonados à própria sorte, os quais embarcam lutas diárias com parcas - ou ainda inexistentes - ferramentas para a sobrevivência. É lamentável e notório, pois, que essa execrável realidade além de edificar um abismo imensurável entre os brasileiros e repercutir diretamente nos índices sociais, lamentavelmente descortina um Estado que relega a último plano a qualidade de vida da população.

Nesse prisma, é indispensável assimilar que a segregação das classes sociais no Brasil torna irrealizável a promessa da cidadania plena. Esse cenário dantesco é creditado ao fato de que a disponibilidade de Direitos Humanos basilares, especialmente a educação, a saúde e a alimentação, em que pese assegurada pela Carta Magna, ainda está atrelada ao capital. Tal configuração erige, portanto, o atroz fosso entre os que podem desfrutar dos algorítimos da cidadania - a exemplo, a política e a economia - e quem enfrenta, diariamente, o lobo inaplacável da fome, do analfabetismo e do desemprego. De forma perspicaz, Jorge Amado retrata esse quadro de desigualdade em sua obra “Capitães de Areia”, em que os meninos amordaçados e esquecidos pela sociedade sucumbem psicológica e fisicamente sobre o trapiche abandonado, enquanto o fluxo citadino prossegue.

Ademais, há que se reportar para a magnificação dos índices de violência ocasionada pela nefasto regime de discriminação das classes sociais brasileiras. Isso porque à miríade esquecida pelas Agendas Nacionais o vil mercado do crime, por vezes, parece ser a única ferramenta de sobrevivência. Em decorrência disso, uma série de ilegalidades emerge e imprime nas ruas brasileiras os matizes do latrocínio, da exploração sexual e do narcotráfico. Por isso, o que se deixa entrever é a clara inoperância do poder público, no que concerne a tornar cabais medidas para dirimir esse mecanismo social que introduz um corte sobre quem vive e quem padece, desde a tenra idade do Brasil.

Depreende-se, logo, que a segregação das classes sociais no Brasil, além de ceifar inúmeras vidas a dignidade de outras, tolhe o lema da bandeira nacional “ordem e progresso”. Nessa lógica, cabe ao Estado a potencialização de políticas públicas específicas, tais como o Bolsa Família direcionadas à garantia de direitos constitucionais, em sinergia à redistribuição espacial de centros de ensino a fim de planificar o acesso à educação e, por conseguinte, ao mercado de trabalho. Acresce-se a isso a altivez do segundo setor para ampliar vagas de emprego e ratificar o preenchimento dessas de forma coerente à diversidade social que o país abarca. É vital, ainda, o despertar da nação brasileira para consolidar relações sociais calcadas na igualdade e na altivez. Assim, o bem-estar é finalmente focalizado.