Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 07/05/2020
A segregação das classes sociais brasileiras é um problema histórico, que ocorre desde a formação das primeiras áreas urbanas por todo o litoral, pelos colonizadores, limitando a circulação dos colonos dentro das cidades ou forçando o afastamento para locais sem infraestrutura. De maneira análoga acontece nos dias de hoje, causando, entre tantos problemas, falta de acesso à moradia e elitização do espaço urbano.
Primeiramente, a falta de acesso à moradia infringe o artigo sexto da Constituição Federal de 1988, que assegura os direitos sociais básicos, como ter uma casa. É difícil comprar ou alugar um imóvel com infraestrutura, uma vez que a especulação imobiliária torna os valores cada vez mais exorbitantes. Por conseguinte, impede que a população menos favorecida consiga custear, gerando assentamentos informais precários. Um exemplo clássico desta situação é a comunidade de Paraisópolis ao lado do bairro nobre Morumbi, mostrando nitidamente a discrepância de infraestrutura entre imóveis.
Ademais, a problemática da elitização do espaço urbano se dá, por meio do pensamento e construção dos locais para a elite. A saber, o shopping paulistano Cidade Jardim não tem uma entrada específica para pedestres, por consequência, só é possível conhecer e apreciar o belo ambiente se o indivíduo possuir um automóvel ou estiver disposto a entrar pela área de carga e descarga. Como resultado, este segregacionismo social impossibilita que a população de baixa renda tenha livre circulação pela cidade, o que é constrangedor e preconceituoso.
Portanto, para que a segregação histórica das classes sociais brasileiras seja mitigada, é necessário que o Ministério da Economia, em conjunto com o da Cidadania, forneçam políticas de promoção à moradia, como a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida, para que os indivíduos menos favorecidos tenham uma residência com infraestrutura mínima e de qualidade. Além disso, deve ser de responsabilidade de cada prefeitura fiscalizar os ambientes de sua cidade, quanto à formas de discriminação velada que resultam em segregacionismo, cabendo a elas penalizarem esses lugares com multas, para que nenhum cidadão seja constrangido a conhecer algum espaço.