Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 15/05/2020

No filme coreano, “Parasita”, apresenta com veemência e lucidez a intensa desigualdade que habita nos âmbitos sociais e, como ela é extremamente hostil e incrédula com aqueles que estão sob as camadas menos favorecidas. Fora da ficção, analisa-se que o atual cenário social brasileiro engaja-se demasiadamente com a obra citada, já que é uma nação oriunda de profundas mazelas em suas estruturas históricas e socioeconômicas, tendo em vista que- hiperbolicamente- é uma região em que vela as segregações e aplica sempre quesitos meritocráticos para justificar os prestígios dos indivíduos. Logo, é necessário pleitear sobre o crescimento exponencial da negligência perante as discrepâncias que permeiam a comunidade e desconstruí-los.

Em primeira análise, o Brasil discorre de moléstias em sua construção histórica, sendo que após o ano de 1888 com a fundamentação da Lei Áurea em que os escravos negros obtiveram a sua liberdade, eles também foram em conjunto com a legislação, anistiados da gama social, por conseguinte, culminou em uma efusiva miserabilidade para esses grupos, o que se perdura até os dias contemporâneos. Ademais, vale ressaltar que diante das enfermidades sociais, sempre estará interligado com a ignorância em massa e apatia dos cidadãos que não almejam mudanças benéficas para o meio e não vêem o passado de forma significativa e seus assuntos pendentes.

Nessa perspectiva, é de suma relevância enaltecer e conhecer a composição social para se poder construir um prognóstico para entender a realidade em que estamos inseridos. Em conformidade com o pensamento do argentino, Eduardo Galeano, a condição primordial para modificar a realidade, consiste em conhecê-la. Portanto, é indubitável que há uma distopia daquilo que está estigmatizado em contraposição com aquilo que é por veracidade, como é o caso da meritocracia que usufrui de conceitos banais para explicitar as desigualdades sob uma sociedade que definha em um abismo social, pois está conectada a ocultação de verdades e a uma hipocrisia disseminada.

Em suma, a estratificação social e suas abruptas iniquidades depreendem-se de edificações em relações sociais e a contextos antepassados. Destarte, cabe ao Ministério da Cidadania, implementar novos programas que auxiliem e proporcionem a visibilidade à grupos marginalizados e a classes mais precárias, a partir de uma distribuição igualitária de educação de qualidade e bolsas que ajudem na complementação da renda familiar, com o intuito de minimizar as extensas desigualdades e negligências no país, dessa forma diluindo o abismo social e impelindo a continuidade de parasitas sobre a comunidade.