Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 06/05/2020

O filme “Jogos Vorazes”, apresenta uma distopia centrada na crítica à divisão social em classes ao evidenciar o distanciamento econômico existente entre os diversos distritos que cumprem funções distintas em subserviência a uma capital cuja população dispões de inúmeros privilégios, estes inexistentes para as pessoas dos demais distritos.Fora da ficção,percebe-se que tal contexto se mostra análogo a realidade brasileira, uma vez que a segregação de classes sociais, a partir do exclusivismo direcionado a poucas pessoas, reascende disparidades econômicas e divisão social,tal qual exposto pela obra cinematográfica.Nesse sentido,torna-se necessário a análise dessa problemática separatista, haja vista que a mesma vai de encontro a direitos legalmente estabelecidos.

Em primeira instancia,é preciso analisar que com o advento da Revolução Industrial, houve a reafirmação de valores capitalistas que,a partir do desenvolvimento mercantil visa a acumulação acentuada do capital. Nesse contexto,o que se vê no Brasil é o reflexo de tal dinâmica econômica sem, entretanto, haver a homogeneidade da concentração de renda, fato que se repercute na divisão da sociedade em classes mediante o poderio econômico e,inúmeras vezes,sanciona a ocorrência de destaque da classe mais abastada daquelas menos favorecidas.Diante disso,percebe-se como resultado a segregação social de classes, justificada pelo pensamento já enraizado de que pessoas  pertencentes a classes marginalizadas estão intrinsecamente atreladas ao aumento da criminalidade

Outrossim, objetivando a arrecadação de lucro e de forma a atender aos anseios da classe econômica mais abastada, nota-se a criação de áreas e serviços exclusivos para pessoas pertencentes a essa camada social, sob pretexto de maior qualidade.Nesse ínterim, tal realidade adversa vai de encontro ao artigo 3 presente na Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, que prevê a redução das desigualdades sociais e quaisquer formas de discriminação, ao evidenciar a disponibilidade heterogenia de benefícios para pessoas de classes distintas e fomentar a existência de preconceitos ligados ao acúmulo de capital. Em síntese, fica evidente que os brasileiros assemelham-se a cidadãos de papel,em analogia  a obra de Gilberto Dimenstein, uma vez que seus direitos estão previstos apenas na teoria e não são eficientemente repercutidos na prática.

Nessa perspectiva, torna-se imperativo a atuação do Ministério da Educação no financiamento e criação de projetos e campanhas educacionais, com atuação de profissionais qualificados e debates entre professores e alunos, além de disseminá-las através de uma ampla divulgação midiática visando acesso a todos, a fim de desconstruir ideais de teor discriminatório acerca  de julgamentos sobre classes menos abastadas e, assim, minorar a segregação desses indivíduos no meio social.