Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 14/05/2020

No ano de 1933, o sociólogo Gilberto Freyre publicou uma grande obra nacional, intitulada “Casa grande e senzala”. A obra tem elevada importância na discussão racial, mas também demonstra a alta separação das classes no Brasil desde o Período Colonial. Hodiernamente, criou-se o termo “camarotização” na sociedade, sendo que, ainda hoje, a distinção entre classes tem impactos relevantes no acesso à cultura e educação.

A priori, cabe salientar o significado do conceito de “camarotização”. A gourmetização do espaço está diretamente ligada ao capital, nesse sentido, indivíduos que possuem mais poder aquisitivo tendem a se separarem das camadas mais populares, ou seja, relacionam-se em uma espécie de camarote. Todavia, essa segregação gera impactos negativos para os indivíduos mais pobres, afinal, necessita-se cada vez mais de dinheiro para se incluir em espaços que deveriam ser democráticos. Assim, é notório que a participação em setores culturais, como estádios, cinemas e teatros ficam monopolizadas pelas classes altas.

De acordo a antropóloga Rosana Pinheiro, o Brasil tem uma ideologia de mistura, mas sempre foi segregado. Partindo desse pressuposto, o que está por trás da “camarotização” é o desejo de uma sociedade colonizada. No que tange a educação, perpetua um fato preocupante, afinal, uma educação de qualidade reflete em um futuro promissor. Nesse viés, alunos de escolas particulares recebem um ensino mais completo, além da cultura inserida. Assim, a segregação das classes implica em indivíduos bem preparados e mal preparados, além de refletir nos espaços ocupados posteriormente.

Depreende-se, portanto, que a segregação no Brasil é um processo histórico e que necessita de mudanças. Desse modo, uma maneira de abrandar esse fato é oferecer oportunidades igualitárias. Assim, o Ministério da Educação tem o dever de equiparar o ensino público ao particular, oferecendo, além de material e profissionais adequados, o acesso ao meio cultural. Ademais, o Ministério da Cidadania deve promover engajamento social, criando, por fim, espaços em que os menos favorecidos possam ter contato com o que é destinado ao público gourmet. Dessa forma, espera-se diminuir a segregação de classes no Brasil.