Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 16/05/2020
No filme da Disney, A Pequena Sereia, o reino de Atlântida é governado pelo rei tritão, que usa seu poder de soberania para administrar todo oceano e de fato consegue obter uma boa administração, garantindo o direito de todo seu povo e combatendo a segregação. Entretanto, saindo do mundo da animação, é notório que no Brasil tal administração ainda não seja efetiva como nos mares. Nesse contexto, é válido analisar os fatores históricos e geográficos, bem como suas perpetuações nos dias de hoje.
É necessário, de início, entender que a segregação das classes no Brasil possui raízes históricas e é agravada por seu imenso território geográfico. Tal fato ocorre devido à colonização segregacionista, que via os índios, inicialmente, e os negros, mesmo após o abolicionismo, como povos inferiores e por esse motivo tiravam-lhes o direito de uma moradia digna, bem como excluíam a possibilidade de uma ascensão econômica dentro do mercado brasileiro. Dessa forma, cada vez mais esses povos foram sendo jogados para longe dos grandes centros urbanos, como já afirmava o historiador, Caio Prado Júnior, que diz que a disparidade das regiões envolvidas em raízes histórica valoriza apenas os detentores de alto poder aquisitivo e deixa os menos favorecidos a merce do acaso.
Pontua-se, como consequência, que devido a tais praticas estarem tão enraizadas, cria-se o fenômeno de camarotização, nome dado a um lugar que se destaca dos outros, seja por possuir conforto, seja por possuir as melhores comidas. Tal pratica pode ser justificada pelo fato de se ter naturalizado a segregação e normalizar uma situação que não deveria ser bem vista, uma ação que considera o poder aquisitivo acima das vidas humanas. Prova disso é uma pesquisa realizada pelo jornal Folha de São Paulo, em que mostra que 78% das pessoas de classe alta afirmam frequentar festas, apenas, quando possuem áreas exclusivas, afim de evitar “aglomerações”.
Admite-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para reverter a atual situação de segregação do Brasil. Dessa maneira, cabe as Esferas Estaduais cobrarem auxílios para a população mais pobre de seus estados afim de fornecer o poder de uma possível melhoria de vida, além disso, cabe ao Ministério da Educação, criar projetos como, por exemplo, bolsas de estudos em escolas particulares, assim como, fornecer aulas de apoio para aqueles alunos que tiverem dificuldade de aprendizagem, garantindo uma ascensão social, para as camadas mais excluídas. Por fim, a Secretária de Propaganda no país deve elaborar campanhas, afim de diminuir os índices de exclusão e mostrar que se pode mudar as raízes de uma história marcada por uma colonização bruta. Com tudo isso, o Brasil poderá, enfim, chegar perto da Atlântida que atende a todos os povos e deixará de ser segregacionista.