Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 06/05/2020

´´Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo´´. O argumento de Marx leva ao pensamento de que é preciso transformar o mundo. Nessa perspectiva, ao se discutir sobre a Segregação das classes sociais no Brasil, é fundamental compreender que - a partir da Revolução Industrial - houve mudanças na estrutura social, motivadas pelo êxodo rural e pela procura de emprego, que geraram uma superlotação nos centros urbanos e, consequentemente, uma marginalização de parcela dessa população devido à limitação das ofertas de trabalho. Com isso, o que se observa é o distanciamento da classe proletária quanto ao acesso às diretrizes socioeconômicas, seja por meio da intolerância da elite burguesa, seja pela manutenção desse desamparo por órgãos governamentais responsáveis por apoiar esse grupo, colaborando com a desigualdade.

Diante dessa ideia, é possível citar a interferência lusitana sobre a comunidade africana no Brasil como exemplo dessa relação de desnível ainda no pré-capitalismo, quando se utilizavam da mão de obra escrava com a finalidade de carregar e extrair minérios de ouro, atribuindo essa atividade devido à visão determinista que associava o caráter étnico-racial às funções que iriam exercer na sociedade. Assim, pode-se perceber esse pensamento pseudocientífico presente no século XXI e isso, de certa forma, manipula os processos de seleção de emprego, de jurisdição e o acesso à educação, os quais atuam no mecanismo de discriminação e periferização do corpo social.

Como efeito disso, é cabível mencionar o poeta dos escravos, Castro Alves, como forma de ressaltar a situação dos negros no país, uma vez que a sua obra ´´O Navio negreiro´´ aborda as condições de viagem dos africanos para a América, além de aspectos emocionais tanto do autor quanto dos próprios submissos. Nesse sentido, torna-se necessário expor essa condição de desrespeito, mostrar a dificuldade de lidar com o sentimento de superioridade da classe dominante, o qual converge para os marginalizados até hoje e, infelizmente, não sofre repressão efetiva do Estado.

Portanto, é determinante que o Ministério do Trabalho e o Ministério da Educação ampliem a rede de oferta de oportunidades de maneira direta aos injustiçados, de modo a aumentar a possibilidade de aquisição de cargos no âmbito trabalhista e agregar a obtenção de recursos pedagógicos e profissionalizantes, por meio da ampliação de cotas para esse meio juntamente com a implantação de multas, caso algum integrante do processo de admissão interfira, negativamente, de maneira preconceituosa. Dessa forma, dar-se-á um passo provisório para a mitigação da desigualdade interligada à segregação.