Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 13/05/2020

A cor da segregação brasileira

O apartheid foi uma política de segregação racial que ocorreu na África do Sul durante o século XX, tendo seu fim com a oposição liderada por Nelson Mandela. Entretanto, a segregação migrou para o setor socioeconômico, que estão interligados. No Brasil, a história é parecida devido à escravidão que ocorreu até o século XIX, mas suas consequências são evidentes até os dias atuais.

Quando falamos de segregação de classes sociais no Brasil, é preciso lembrar que a classe popular e menos favorecida, tem cor, e isso não é por acaso. Com o fim da escravidão em 1888, os ex escravos negros foram marginalizados e guiados a uma vida de sobrevivência, morando em cortiços e moradias irregulares como favelas, enquanto a elite burguesa esbanjava riquezas em suas mansões, mantendo as classes sociais cada vez mais afastadas.

Diante do exposto, é possível observar os reflexos na sociedade atual, na qual o processo de camarotização é cada vez mais presente. A alta sociedade é que tem acesso à educação de qualidade, saúde, programas culturais como teatro ou cinema, pois ela pode pagar por isso. E quem não pode?

É notória a precariedade dos serviços públicos brasileiros e o descaso para com os cidadãos, que são vistos como mercado consumidor para as grandes empresas e o governo esquece de olhar para aqueles que não têm condições de pagar uma boa escola para os filhos e mantêm o sistema público de educação em baixo nível.

Por conseguinte, a segregação socioeconômica no Brasil é evidenciada pelo próprio sistema, que, de maneira indireta, apoia e incentiva essa divisão desde os primórdios da história do país. A segregação sempre existiu, mudando apenas o nome, de racial para socioeconômica, mas, na prática, são a mesma coisa.