Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 12/05/2020
No álbum “Sobrevivendo no inferno”, lançado em 1997 pelo grupo de rap nacional Racionais MC’s, é evidente uma expressiva crítica à exclusão, discriminação e segregação social, vigente no Brasil ainda nos dias atuais. Desigualdade e segregação social sempre existiram nos contextos sociais, porém o século XXI vivencia uma grande pandemia social originária do sistema econômico capitalista. Hoje, é muito claro uma espécie de “camarotização” da vida pública, onde quem possui maior poder aquisitivo é capaz de desfrutar de uma vida digna, na contra-mão desse fenômeno observa-se um abismo sendo criado gradualmente pela inacessibilidade de uma parcela significativa da população brasileira à esse processo de “ascensão social”.
Primeiramente, faz-se necessário uma ampla observação do cenário atual em comparação ao cenário ideal. Para a efetivação da democracia plena, é certo que o bem comum seja o centro da discussão, partindo desse ponto pode-se dizer que a camarotização inviabiliza o estado democrático, uma vez que seleciona e exclui os indivíduos, como se dissesse: “você pode consumir isso, pois é o que seu dinheiro pode pagar”. A partir dessa análise, pode-se afirmar que todos os bens comuns e de direito à população brasileira como, educação, saúde, segurança, alimentação e transporte, sofrem por serem comercializados de acordo com o poder aquisitivo individual.
Observa-se os impactos da segregação social brasileira expresso em alguns refrões da música “Periferia é Periferia” do grupo Racionais MC’s: “Vários botecos abertos, várias escolas vazias…Aqui meu irmão é cada um por si…Muita pobreza, estoura violência…”. Nessa passagem da música é evidente a crítica ao descaso político, à violência que se dá a partir da inviabilização da democracia causada pelo sistema capitalista, a observação de que a educação é pra quem pode pagar, logo se a educação não é de qualidade na periferia por ser pública, significa que nenhum outro bem público o é.
Nesse sentido, é mister que o Estado se posicione para a inclusão das comunidades mais carentes e efetivação da democracia plena, permitindo que as diferentes classes se cruzem no cotidiano, permitindo que algumas classes saiam da invisibilidade e sejam atendidas. Para que a democracia se efetive plenamente urge a melhoria de todo o sistema público, as pastas ministeriais necessitam uma reforma para conseguirem atender toda a população, desde as comunidades periféricas até a elite, pois oferecendo um serviço público de qualidade, como educação, saúde, segurança e transporte, todos poderão desfrutar desse direito igualitariamente. Somente assim será possível que a sociedade se integre e efetive o sistema democrático vigente no país.