Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
No filme o “Expresso do Amanhã”, o planeta inabitável obriga os habitantes sobreviventes a viver a bordo de um trem autossustentável. Este possui uma grande quantidade de vagões que são divididos em classes sociais e os ricos ocupam a parte da frente do trem e os pobres nos compartimentos de trás, sem poderem frequentar outros vagões. Fora do universo distópico, criado por Joon-Ho Bong, o problema da segregação das classes sociais persiste na realidade brasileira. Sendo a segregação educacional ou socioespacial fatores que acentuam e perpetuam a desigualdade no país.
Em primeira análise, o sistema escolar é a expectativa de mudança de vida para os menos abastados, porém é uma instituição de reprodução social. A forma de avaliação, de inserção dos alunos e de preparação para o mercado de trabalho acaba por tornar a educação um veículo de imobilidade social, servindo mais para distanciar as pessoas do que para aproximá-las. Sobre isso o filósofo Pierre Bourdieu escreveu o artigo “Os excluídos do interior” que trata da desigualdade escolar e salienta que o sistema mantêm os menos abastados na mesmo posição social. Visto que as instituições e os cursos elitizados que levam a posições de poder econômico e político são exclusivos para a alta classe. Apesar da ampliação do acesso ao ensino superior, com as políticas criadas no governo Lula, ainda a meritocracia é a principal forma de entrada e aos pobres cabem os cursos menos concorridos, levando-os a ocupar cargos de menor remuneração e prestígio, aumentando a legitimação social.
Paralelo a isso, está os fenômenos da favelização e camarotização que faz uma separação do espaço social por classes. Com o crescimento desordenado das cidades ocorreu uma ocupação sem planejamento, levando para periferia a população mais pobre, a qual sofre estigmatização. A segregação vai além da distância espacial ela ocorre em todos os espaços sociais da cidade. As camadas mais populares da sociedade passaram a frequentar espaços antes exclusivos da elite, e a reação a esse fato originou o movimento de camarotização. Um fato é a recente ascensão da classe média que passou a frequentar lugares antes exclusivos de pessoas com muito dinheiro. Cita-se os aviões que deixaram de ter somente classes econômicas para ter assentos diferenciados e então agradar a elite, uma sutil segregação.
Diante desse panorama, fica evidente a necessidade de uma mudança de comportamento da sociedade. É mister intervenção do Estado por meio de políticas públicas de reparo a desigualdades sociais. O Ministério da Educação precisa investir na educação, melhorar o currículo escolar e trabalhar as diferenças em sala para então promover a igualdade e respeito. Somente um ensino de qualidade poderá formar cidadãos ativos politicamente, conscientes de seus direitos.