Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 14/05/2020

Nem toda classe é povo no Brasil

A população brasileira, por ser intensamente segregada em classes sociais, protagoniza uma crise de identidade pungente. Um ímpeto de secessão se manifesta desde o campo simbólico e linguístico, até campo material de tal maneira, que uma classe é incapaz conceber na outra uma unidade de povo.

O termo povo é raramente empregado como sinônimo de toda população brasileira. Popularmente por exemplo, diz-se “povão” aqueles de menos recurso tanto educacional como de subsistência. Assim como em propagandas eleitorais, é fácil achar candidatos que dizem ser do ou pelo povo, remetendo as classes mais baixas, que são a maioria do brasil, quando muito, incluindo a classe média. Na linguagem contemporânea em geral, classe alta não é povo.

É notório também, que as classes altas não apenas não querem como evitam contato com as demais fora de relações profissionais, para assim destacar sua distinção. Como explica Renato de P. Pereira na Gazeta Digital, é por conta da presença de classes populares que as superiores buscam espaços exclusivos, fenômeno chamado camarotização. Isto é, classes altas procuram a ala VIP para não serem confundidas com o “povo”.

A distância física e simbólica das classes sociais impede o reconhecimento de unidade nacional uma na outra, assim, apesar de falarem o mesmo idioma, são linguagens diferentes e a compreensão mutua é difícil. Para superar essa crise indenitária é preciso diminuir distancias incentivando convívio entre classes, o que pode ser feito pelo incentivo a produção cultural por parte do poder público, além da pratica de um plano nacional de educação que vise alcançar todas as classes sociais.