Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 05/05/2020

Racismo, violência, submissão e ausência de direitos básicos, são palavras que resumem o drama da autora Carolina de Jesus e seus três filhos em “Quarto de Despejo. No diário, escrito em meados dos anos 1950, é nítido que o racismo e a desigualdade histórica aflige, principalmente, a população negra e marginalizada do Brasil. Nesse âmbito, é imprescindível analisar o papel do racismo estrutural como segregador de classes na sociedade brasileira.

Desse modo, é importante ressaltar o papel do pensamento racial persistente no dicionário social brasileiro. Em “Espetáculo das Raças”, a historiadora Lilia Schwarcz, evidencia que o darwinismo social – divisão entre aptos e não aptos - ainda persiste na mentalidade brasileira, essencialmente, na segregação de espaços e violência constate contra a população pobre e negra. Tal caráter resulta , portanto, na formação e segregação, no fim do século XIX de comunidades “indesejadas”  realocados pelo Estado burguês para as periferias dos grandes centros urbanos.

Nesse sentido, a violência do pensamento racial não se restringe apenas ao espaço físico, mas também na segregação cultural. Assim sendo, durante a república velha, diversas manifestações artísticas - samba, capoeira - relacionadas com costumes afro-brasileiros, foram censurados por serem “impróprios”  e “degenerados” para os hábitos da sociedade “ideal”. Isso demonstra que o pensamento de segregação é intrinsicamente enraizado historicamente na sociedade.

Evidencia-se, portanto, que a segregação na sociedade brasileira é um conceito histórico e relacionado com o racismo estrutural. Desse modo, é imprescindível a sociedade reconhecer o pensamento segregacionista e racista que pauta a mentalidade brasileira. Nesse sentido, para ampliação de espaços democráticos, é importante  a função do MEC e Secretaria da Cultura na ampliação de debates e palestras, além de inserir na base curricular escolar matérias que problematizam e repensem a sociedade.

Entretanto, diversas parcelas da sociedade brasileira, legitimaram a violência alegando que o evento possuía cunho improprio e sequer poderia ser considerado como cultura.  Esse quadro,  demonstra, a persistência da segregação e pensamento racial na sociedade brasileira.