Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 08/05/2020

O artigo 5º da Constituição Federal de 1989, defende o direito pleno de qualquer cidadão. No entanto, percebe-se uma lacuna na garantia desse direito na questão da segregação das classes sociais no Brasil, o que, além de grave, torna-se um problema inconstitucional. Nesse contexto, é necessário que medidas estratégicas sejam aplicadas sobre a questão da lenta mudança da mentalidade social e do individualismo.

Convém ressaltar, a princípio, que a lenta mudança da mentalidade social é um empecilho para a resolução. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da segregação social é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto intolerante aos mais necessitados financeiramente, a junção das classes não ocorrerá, a tendência natural é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução mais complexa. Dessa forma, com esse pensamento inserido na sociedade, a segregação das classes continuará.

Ademais, o individualismo funciona como forte base para a questão. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange à desigualdade social. É notório que o individualismo está enraizado em nosso país, como por exemplo, em estádios de futebol, existem camarotes segregando a população rica e pobre, da mesma forma é feito em escolas públicas e privadas. Assim, com a falta de interatividade entre eles, isso irá persistir.

Portanto, é inegável que medidas precisam ser tomadas sobre a questão. Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios públicos e privados. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a interação e a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem sobre a segregação social para os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Feito isso, a sociedade irá caminhar de encontro com a interação efetiva.