Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 08/05/2020
A constituição brasileira de 1988 declara que todos os cidadãos devem possuir os mesmos direitos. Porém, o processo de segregação das classes sociais que existe no país, observado em shows, estádios e festas, fere essa proposta por disponibilizar diferentes ambientes e aparatos para indivíduos com maior poder aquisitivo. Logo, é irrefutável a necessidade de subverter tal situação, tanto por transgredir a constituição, quanto por promover a desigualdade social.
No que concerne ao primeiro ponto, vale salientar que a segregação social, no Brasil, possui raízes históricas. Nesse sentido, as políticas escravistas e o darwinismo social advindos da Europa instauraram um cenário de opressão às classes sociais desfavorecidas, fato que fomentou os privilégios da aristocracia e impulsionou a desigualdade. Com isso, nota-se o reflexo da transmissão desses malefícios e práticas segregacionistas em razão das dívidas históricas que dão forma a hierarquia social hodierna.
A respeito do segundo dado, é importante ressaltar que o capitalismo influencia veementemente a permanência dessa situação. Para corroborar isso, o geógrafo Milton Santos afirma que essa mazela social é fruto da globalização e do capitalismo perverso que visa a obtenção de lucro acima dos direitos civis. Nessa perspectiva, é fulcral analisar que o dinheiro por si só particiona as classes sociais em aspectos diversos, como no espaço urbano, por garantir melhores moradias e acesso à ambientes privilegiados.
Em virtude disso, medidas devem ser tomadas para reverter esse contexto. Para tal, o Ministério da Educação deve promover debates e rodas de conversa nas escolas públicas sobre os problemas sociais que assolam o país, dentre eles a segregação social. Essa iniciativa pode ser realizada por meio da convocação de professores e especialistas no assunto - como advogados - para discorrer sobre essas questões e instigar a mobilização e conscientização social com intuito de extinguir esses problemas. Desse modo, a democracia e a inclusão social previstas na constituição serão fortalecidas e a segregação de classes, paulatinamente, mitigada.