Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 11/05/2020
No final de 2013, no Brasil, um evento popularmente conhecido como “rolezinho” ganhou a atenção do país. Tal fenômeno caracterizou-se pelo encontro, marcado através de redes sociais, de jovens periféricos em shoppings centers - local frequentado, predominantemente, por classes mais altas -, o que gerou desconforto nos frequentadores habituais. Essa mobilização dos jovens demonstra a carência de lazer, diversão e cultura dos locais em que vivem. Nesse sentido, observa-se que a segregação de classes é cada vez mais significativa, o que pode ser explicado pela má distribuição de renda no país e pela eclosão do capitalismo.
Nesse contexto, de acordo com o Artigo 5° da Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem qualquer distinção. Contudo, paradoxalmente, a sociedade brasileira é uma das mais desiguais do mundo. Há uma discrepância enorme entre a renda dos mais ricos e dos mais pobres, este, muitas vezes, passa fome, enquanto aquele apodera-se de grande parte da economia do país. A população periférica é a que mais sofre com o mau remanejamento de dinheiro, não tendo ao seu dispor serviços básicos de qualidade, como educação, saúde e transporte. Tampouco, tem opções de lazer, devido aos altos custos cobrados, o que amplia essa carência e alimenta um cenário de exclusão.
Ademais, como estopim da segregação social, tem-se o capitalismo. O sociólogo Adam Smith, conhecido como “pai da economia moderna”, pavimentou o caminho para esse sistema econômico através da teoria do liberalismo econômico. Desse modo, o comércio é livre para regular valores de acordo com a sua lei de oferta e procura. As classes sociais mais altas tem necessidade nata de se destacar, assim, surge o fenômeno da “camarotização”, o que faz com os privilegiados estejam sempre nos melhores lugares em shows, estádios de futebol e em todas as esferas da vida social. Em virtude disso, o sistema capitalista, visando o lucro, incentiva o afastamento entre classes.
Visto que a segregação das classes sociais no Brasil é problema que alimenta aspectos negativos da realidade do país, medidas precisam ser tomadas para atenuá-los. Cabe, portanto, ao Ministério da Economia, juntamente com o Congresso Nacional, ajustar o valor do salário mínimo para que condiza realidade dos cidadãos brasileiros e supra suas necessidades. Além disso, o Ministério de Cultura, em acordo com a Prefeitura de cada cidade, deve implementar centros de lazer e cultura gratuitos nas áreas desassistidas pelo Estado, para que, principalmente, crianças tenham meios para se divertir e, também, para descentralizar a cultura, tornando-a acessível a todos. Por fim, assim como no movimento “rolezinho”, é dever de cada cidadão protestar, pacificamente, em prol de seus direitos, lutando por uma sociedade mais igualitária.