Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 06/05/2020

Recentemente, em 2019, uma situação comoveu o Brasil quando estudantes da periferia de São Paulo foram proibidos de entrar no Shopping JK Iguatemi, cujos funcionários alegaram ser um espaço de elite. Esse episódio, infelizmente, explicita a atual realidade da sociedade brasileira, segregada devido às diferenças sociais. Nesse contexto, considerado pela Organização das Nações Unidas, ONU, um dos dez países mais desiguais do mundo, o Brasil tem a maior parte da sua população pertencente às camadas mais baixas da sociedade. Nessa perspectiva, a segregação social presente no Brasil é prejudicial ao progresso de sua sociedade, visto que promove a desvantagem da parcela da população menos favorecida socialmente.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar os efeitos da segregação espacial no País. Nesse cenário, após a Guerra Fria, países emergentes, como o Brasil, passaram a concentrar as camadas mais elevadas da sociedade nos centros urbanos e as mais baixas, nas periferias, o que deu início à segregação socioespacial. Esse fenômeno é prejudicial às camadas mais baias da sociedade, pois dificulta o seu acesso a atividades como o trabalho, o lazer e a educação, que se retêm na parte central das metrópoles. A exemplo disso, em entrevistas feitas pelo G1, moradores da periferia contam que têm de viajar mais de três horas para se divertir.

Além disso, vale salientar que a desigualdade social pode afetar o futuro dos indivíduos. Nessa conjuntura, atualmente, devido ao alto índice de desigualdade na sociedade brasileira, as pessoas estão sendo, a cada dia mais, privadas da educação de qualidade. A exemplo disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, cerca de 20% da população brasileira estuda em escolas privadas, cujos alunos apresentam, conforme o Ministério da Educação, MEC, maior desempenho em provas e vestibulares. Dessa forma, essa realidade garante aos mais afortunados melhores condições de ingressarem em uma faculdade e, consequentemente, no mercado de trabalho.

Em síntese, a segregação social no Brasil é um aspecto prejudicial a sua população. Portanto, cabe às Secretarias de Cultura, por meio de investimento financeiro, promover a construção de instituições, bem como museus, bibliotecas e cinemas, em áreas periféricas das cidades, a fim de garantir aos habitantes um maior acesso ao lazer e à educação, além de aumentar a oferta de emprego nessas regiões e garantir seu desenvolvimento. Ademais, o MEC deve, mediante a aquisição de materiais escolares de qualidade e ajustes na grade horária, proporcionar o aperfeiçoamento do ensino público, com o intuito de garantir à população de baixa renda melhores oportunidades no futuro. Assim, com essas medidas, espera-se reduzir os efeitos da segregação social que persiste na sociedade brasileira.