Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 06/05/2020
O processo histórico, sem dúvidas, contribui para a constituição da mentalidade coletiva hodierna. À vista disso, é possível inferir que o fenômeno de segregação sócio-espacial, estudado pelas ciências socais tem raízes coloniais na história da formação do povo brasileiro. Assim sendo, essa problemática interfere na coesão e harmonia da estrutura social, haja vista que fomenta desigualdades e injustiças. Em suma, solucionar esse impasse é um desafio a ser superado pelo corpo nacional.
Com isso, é indubitável que o ambiente social é determinado, majoritariamente, pelo poder aquisitivo dos indivíduos. Dessa forma, uma parcela significativa da população fica limitada ao acesso à saúde, educação e lazer de qualidade, contrariando o que é garantidos pelo art. 3º da Constituição Federal de 1988: “erradicar a pobreza, a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.” Ademais, a ausência de infraestrutura habitacional acentua o distanciamento das esferas sociais, tendo em conta a disparidade na qualidade de vida, segurança e conforto. Mostra-se, assim, que os melhores recursos infraestruturais estão destinados à minoria mais abastada socialmente.
Todavia, sob essa perspectiva, a polarização urbana extrapola os limites físicos e são introjetados a partir de pré conceitos e estigmas de classe. Nesse contexto, a alienação justifica a existência de condomínios fechados, na qual potencializam a marginalização de toda a localidade, confirmando o pensamento de Thomas Hobbes: “o homem é o lobo do próprio homem.” Nessa conjectura, a concentração de realidades semelhantes nega a visão de diversidade cultural inerente a realidade brasileira, em que descende da miscigenação de diferentes povos étnicos e fusão de seus comportamentos e costumes. Evidencia-se, então, que nosso povo caminha a passos largos em direção à discriminação entre as camadas sociais.
Diante do exposto, portanto, é necessária uma intervenção estatal, através de reformas de caráter infraestrutural, em regiões carentes, por meio da construção de habitações, escolas, centros esportivos e hospitais, a fim de suprir as necessidades básicas e desacentuar as diferenças sociais. Outrossim, deve estimular a descentralização espacial, mediante a incentivos fiscais, para que homogenize a paisagem urbana. A Mídia, por sua vez, deve proporcionar o entretenimento acessível a maioria social sob a forma de apresentações e exibições em locais públicos, como meio de democratizar o acesso a cultura no país. Também, cabe ao cidadão ter a consciência de que é autor e vítima da história. Assim, romperíamos o ciclo de passividade coletiva e caminharíamos para uma sociedade equilibrada.