Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 10/05/2020
Sociedade do Desencontro
No século XIX em meio ao período de transformações no Rio de Janeiro, a cidade sofreu um inchaço e posterior reorganização, o que levou a separação de uma área nobre e, ao nascimento de outra área menos privilegiada que compreendia as favelas e cortiços. Esse marco histórico de segregação espacial, por exemplo, culminou em diversas questões sociais presentes ainda hoje como a divisão cada vez mais expressiva entre as condições mínimas de vida. Assim, se até mesmo o acesso ao básico, que deveria ser um bem comum, é comprometido e fica restrito a uma parcela ínfima da sociedade, a democracia e os direitos são violados.
Num primeiro caso, a ideia de lazer que se tem atualmente são shoppings, restaurantes, shows, entre outros. Observando-os, é possível perceber que estes são fontes de entretenimento privadas e, portanto, não são de acesso comum, ficando restrita a classe abastada. Tal problema passa muitas vezes despercebido pois é naturalizado, não só nesta esfera, como também na saúde, educação e transporte . Há, desta forma, um abismo tanto qualitativo quanto de alcance aos serviços públicos e privados entre as classes sociais. Além de ferir ao artigo 5º da Constituição que garante a isonomia de direitos, este processo de divisão gera o não pertencimento, ou seja, exclui aqueles mais desprivilegiados e inviabiliza o convívio com o outro, levando a um total desencontro.
A exclusão por si é uma forma de violência simbólica que acentua as diferenças e dá fim a vida comum criando espaços e situações de exclusividade. Estas, cada vez mais comuns, surgem a partir das condições do meio e se reverberam por uma necessidade de isolamento, de diferenciação de uma posição de privilégio. Esse tipo de mentalidade desconsidera a ideia de comunidade, tornando o individualismo regra, o que permite a tolerância a esse sistema. No entanto, se há restrição de direitos, o principio democrático é fragilizado e atinge a todos.
Portanto, tendo em vista que a segregação social é prejudicial ao cidadão , que se vê desamparado pelas leis, e a democracia pois infringe o direito de igualdade, inclusive gerando um senso de egoísmo, é essencial que se repense o modo de encarar o outro. Para isso, é necessário que os direitos básicos como saúde e educação sejam atendidos, diminuindo as desigualdades existentes de acesso. Em conjunto a tal medida é importante que haja um espaço de convívio com outro, seja no exercício da cidadania, seja em espaços públicos criados para o lazer que permitam o encontro visando a empatia.