Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 07/05/2020

Abordada de maneira naturalista-realista e, em certos pontos, grosseira, a vida em espaços segregados e carentes de atenção administrativa e política na obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, busca a conscientização de seus leitores acerca de seus sentimentos e ações relacionados às classes menos abastadas. Ainda que tenham sido vistas tentativas de transformação dos espaços supracitados, insuficiências políticas acopladas ao psicológico coletivo e à constante busca pelo lucro amplificam a problemática, causando divergências sociais e econômicas mais acentuadas de descaracterizando a ideia de democracia. Logo, compreende-se a manutenção das desigualdades na sociedade brasileira.

A exponencial bolha imobiliária, formando bairros nobres cuja intenção é afastar seus moradores da realidade de miséria, fome, desespero, exposição constante à tragédia, entre outros, encontrada em inúmeros espaços pelo Brasil, naturaliza a segregação socioespacial. Mesmo que de maneira velada às classes altas, tal processo apresentado exclui a maioria da população brasileira, tornando-a invisível ao próprio governo e impedindo que mudanças estejam em pauta. Assim, visualizam-se os motivos do início e da constância do impasse.

Visando acabar com a imagem que os cortiços traziam à sociedade brasileira, o presidente Rodrigues Alves, em meados da Primeira República, os demoliu. Entretanto, ao contrário do esperado, devido ao supracitado e a outros fatores anexos, a desigualdade, a concentração de renda e a bolha imobiliária aumentaram invariavelmente, contribuindo para a marginalização e para a exclusão, em um ciclo infindável, das populações de baixa renda, tal qual visto no fenômeno de “camarotização” hodierno. Dessa maneira, determinam-se os efeitos negativos provindos de ações anti-democráticas.

Destarte, medidas são necessárias para combater a problemática. É mister que o governo, em parceria com empresas de ação privada, acordem sobre a construção de residências, destinadas às camadas excluídas, em áreas de bairros nobres, trabalhando o psicológico destes em relação àquelas e cumprindo, de modo racional e democrático, as aspirações do presidente Rodrigues Alves. Outrossim, que o governo invista em melhorias socais, a fim de que não haja a necessidade da segregação em outros âmbitos da sociedade, como visto na obra O Cortiço, acarretando uma maior convivência e aceitação das diferentes classes.