Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 15/05/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. O poema, “No meio do caminho” de Carlos Drummond de Andrade, simboliza uma metáfora para desafios. De maneira análoga a isso, é fato que a questão da segregação das classes sociais no Brasil, hodiernamente, mostra-se como um obstáculo para o avanço do país, seja pelo silenciamento em torno do tema, seja pela banalização da sociedade.

Primeiramente, o silenciamento em torno do tema mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Nesse sentido, o filósofo Jürgen Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nesse modo, para que o transtorno como o da separação das classes sociais seja resolvido, faz-se mister debater sobre a importância da igualdade e do convívio das classes sociais . Entretanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada em meios como a escola e a mídia. Assim, trazer a pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Além disso, vale também ressaltar que a banalização da sociedade está entre as caudas da problemática. Nesse prisma, segundo a filósofa Hanna Arendt, em “A banalidade do mal”, o pior mal é aquele visto como algo corriqueiro e cotidiano. Nessa perspectiva, observa-se a existência de uma banalização da sociedade que julga como algo comum a questão da separação das classes sociais. Como resultado disso, cresce todos os dias a tendência da segregação pelos limites do cartão de crédito. Nesse contexto, é essencial superar esses paradigmas que prejudicam diversos indivíduos.

Portanto, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para tanto, é preciso que o MEC, em parceria com as instituições escolares, promovam no ambiente escolar um espaço para rodas de conversa e debates amplos sobre a importância da igualdade e do convívio das classes sociais. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse contando com a presença dos professores e especialistas no assunto. Ademais, tais eventos não devem se limitar apenas aos alunos, mas ser aberto à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas à segregação das classes sociais e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções. Somente assim, tirando as pedras do meio do caminho, construir-se-á um Brasil melhor.