Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, diferente do representado por More, a realidade contemporânea é “imperfeita”, uma vez que, a segregação de classes sociais no Brasil é um problema. Nesse contexto, é claro que esse cenário antagônico se deve, principalmente, à negligência governamental e à cultura da camarotização, a qual tem como consequência, o preconceito persistente.
Primeiramente, vale ressaltar o pensador Thomas Hobbes, o qual cita que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Desse modo, é inegável que os Órgãos Públicos devem fornecer, igualmente, oportunidades de lazer para todos. Entretanto, a cultura da camarotização, ou seja, a existência de espaços particulares para a classe alta em estádios de futebol, festas e entre outros, infelizmente, ainda é bastante comum e impede que tal direito seja exercido. Com isso, é lamentável que alguns cidadãos sejam mais privilegiados que outros, sendo uma “quebra” à igualdade exigida pela Constituição de 1988 e ao que Hobbes afirma. Dessa forma, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Em segundo lugar, é válido evidenciar os famosos encontros de 2014, ocorridos, principalmente, em São Paulo, conhecidos como “rolezinhos”, organizados por jovens pobres em shoppings ou parques. Ademais, de acordo com o site G1, esses adolescentes definem tais eventos como um “grito por lazer” e em todas as reuniões a polícia foi acionada. Nesse sentido, é lamentável que além de não ter acesso a diversão, que é direito de todos, essas pessoas são tratadas como criminosas apenas por serem de baixa renda e desejarem dar fim à cultura da camarotização, ou seja, frequentar espaços considerados da elite. Dessa maneira, é deplorável o preconceito sofrido por cidadãos não elitizados, visto que, as segregação de classes, seguida pelas consequências, se tornam a cada dia mais transparentes.
Fica claro, portando, que é fundamental que o Governo Federal, por meio do Poder Legislativo, crie leis- especialmente, para locais considerados privados, como shoppings e campos de futebol- que proibam ou reduzam a existência de espaços VIPs, com o objetivo de mitigar, gradativamente, a cultura da camarotização e o persistente preconceito social. Assim sendo, o problema contemporâneo da segregação de classes será solucionado e a sociedade idealizada por More será possível.