Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 15/05/2020

A novela ‘‘Fina Estampa’’, da Rede Globo, expõe o conflito entre duas mulheres, Griselda, trabalhadora braçal, e Thereza Cristina, oriunda de família nobre, por conta de suas diferenças econômicas. Tal qual na obra, que Thereza realiza uma série de ações para afastar Griselda de si, a segregação das classes sociais é uma realidade no Brasil, porque a desigualdade socioeconômica gritante gera essa, que por sua vez resulta da ineficácia estatal.

A fim de se contextualizar historicamente, é importante citar o fim da Guerra Fria, em 1991, pois foi após a vitória da ordem capitalista, representada pelos EUA, que esse sistema obteve grande salto ao redor do planeta, inclusive no Brasil, acarretando numa intensa valorização da riqueza e do consumo. Contudo, os com menos renda, a maioria, ficaram à margem desse processo, não acessando a bens culturais, novas tecnologias e outras atribuições de luxo. Dessa forma, tornaram-se ainda mais nítidas as distinções entre pobres e ricos, tendo em vista que a ostentação se configurou cada vez mais como uma meta, em contrapartida ao fato de boa parte da população não ter nem coleta de esgoto a sua disposição, assim como 48% dela ainda não tem, segundo o Instituto Trata Brasil.

Portanto, com uma minoria usufruindo da maior parcela das riquezas do país, logo, possuindo melhor qualidade de vida que os demais, o governo deveria adotar o máximo de medidas possíveis com o intuito de se democratizar boas condições para se viver, todavia, não é o que ocorre. Prova disso é a manutenção do ENEM pelo Ministério da Educação na atualidade, embora milhões de jovens de escola pública estejam sem aula por conta da pandemia de Covid-19, no entanto, milhares do ensino privado continuam estudando através de plataformas digitais. Tal contexto elucida o quanto é institucionalizado o elitismo pelo Estado, visto que esse desenvolve uma prova de seleção para universidades, de modo que os com melhores condições financeiras a realizam com larga vantagem diante dos demais, discrepância essa que perpetua o ciclo de ricos no topo e pobres na base.

Destarte, é imprescindível que o governo brasileiro atenue as exuberantes desigualdades sociais existentes no país, para que assim seja possível minimizar o apartheid entre grupos abastados e os menos favorecidos.  Logo, isso deve ser feito por meio de investimentos no ensino público, tendo em vista que educação gratuita de qualidade ofertada aos indivíduos que mais precisam proporciona oportunidades profissionais e geração de renda, uma vez que conhecimento produz cultura, arte e pensamento crítico.