Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 08/05/2020

A quebra da isonomia

No livro “Capitães da areia”, do escritor brasileiro Jorge Amado, é retratada a vida de um grupo de meninos abandonados que vivem na rua à margem das convenções sociais. Assim como na obra, a realidade não se mostra distante do cenário de outrora, uma vez que pessoas vivem em condições semelhantes devido aos altos níveis de disparidades, que decorrem de uma sociedade hierarquizada, além da limitação dos direitos básicos que regem o Artigo 5º da Constituição Federal. Nessa perspectiva, a desigualdade social leva muitas pessoas a agirem como os garotos e por isso deve ser analisada.

A priori, tão grave quanto a desigualdade em evidência no Brasil, é ignorá-la. Nesse sentido, é indubitável que o pensamento do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro encaixa-se na engrenagem supracitada, ao afirmar que o Brasil carrega uma perversidade que torna a classe dominante enferma de desigualdade e descaso. Sob tal viés, a estratificação social funciona como impulsionadora da problemática vigente, em que a minoria é detentora de bens exorbitantes, enquanto a maioria sofre pela escassez.

A posteriori, o não investimento em áreas fundamentais compactua com a persistência do impasse. De maneira análoga, a filósofa brasileira Marilena Chauí diz que a democracia deve ser um sistema de direitos igualitários, sem ações que favoreçam um grupo em detrimento de outro. Todavia, na realidade, bolhas sociais e econômicas são criadas, tendo em vista uma grande concentração de poder, que corroboram a situação calamitosa da economia brasileira.

Mediante o exposto, é possível extrair que, para atenuar os imbróglios apresentados, é dever do Ministério Público (MP) unir forças para combater as desigualdades sociais, fomentando maiores oportunidades de emprego direcionadas ao estrato social desfavorecido, com o fito de diminuir as disparidades entre as classes sociais. Em soma, é dever do Governo Federal melhorar a distribuição da renda em todo país, possibilitando amplo acesso a programas sociais para os mais carentes, por meio de recursos governamentais. Dessa forma, o descaso retratado na obra de Jorge Amado, vigente na atualidade, será atenuado paulatinamente.