Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 12/05/2020

A pesquisa ‘Desigualdade Mundial 2018’, mostra que o Brasil tem a segunda maior concentração de renda do mundo, 1% dos milionários brasileiros detém quase 30% da renda do país, logo, há muita iniquidade. O filósofo Karl Marx defendia que a força motriz da história é a luta de classes. Isto é, os oprimidos lutam por sua emancipação, por outro lado, os opressores institucionalizam a segregação a fim de manter o status quo. Deve-se, enfim, encontrar a síntese entre essa contradição.                              Segundo o IBGE (2017/18), a classe baixa representa 73% da população, a classe média, 24,30% e a classe alta, 2,67%. Evidentemente, uma minoria tem privilégio de renda em relação à maioria. A segregação está intrínseca na estrutura social, especialmente no que se concerne à ordem fundiária, existem muitas terras nas mãos de poucas pessoas. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST) é um exemplo da marcha histórica de quem não aceita a condição de obediência servil frente à realidade excludente. Além disso, a pobreza está ligada à raça no país. Conforme dados do IBGE, dos 13,5 milhões vivendo em extrema pobreza, 75% são pretos ou pardos. Como Bia Ferreira narra na música Cota Não É Esmola, ‘’Experimenta nascer preto, pobre na comunidade, você vai ver como são diferentes as oportunidades’’.Não obstante, existem movimentos contra o racismo estrutural.

Decerto, nos tempos hodiernos existe mobilidade social, entretanto, há um discurso meritocrático proveniente do capitalismo que propaga a crença de que todos podem obter melhores condições de vida apenas por se esforçarem. Consoante um levantamento feito pela Universidade de Brasília (UnB), no Exame Nacional do Ensino Médio(ENEM), 1 a cada 4 alunos do grupo com melhores condições socioeconômicas, está nos 5% melhores, enquanto para as piores condições, o número é de 1 a cada 600 alunos. Claramente há uma relação entre a situação socioeconômica e o sucesso no exame, em contraposição à ideia de tão somente se esforçar. Com efeito, o Estado deve garantir o bem-estar social das pessoas, ofertando educação, saúde e emprego de qualidade para todos, com o intuito de atenuar os privilégios de classe e desmitificar a meritocracia.

Dessarte, cabe ao Governo Federal efetuar políticas públicas para o povo, conforme suas reivindicações, objetivando a supressão das desigualdades, com a criação de um auxílio assistencial de renda básica para as pessoas no nível da pobreza, reforma agrária em âmbito nacional, de modo a redistribuir as terras, criação de um ministério para promoção de igualdade racial, programa de geração de empregos, reforma tributária com a isenção de imposto de renda para a classe baixa e cobrando mais dos super ricos, valorização progressiva do salário mínimo e investimento no setor educacional para conter as disparidades no ensino.Assim, é possível que o país seja mais justo e menos desigual.