Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 14/05/2020
Em seu artigo 5°, a Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, prevê como garantia e direito fundamental a igualdade. Entretanto, no Brasil, as desigualdades ao acesso de ambientes de lazer e cultura entre distintas classes sociais, figuram-se como um entrave a democracia do país. Desse modo, tal segregação social é inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.
Em primeira análise, tem-se como razão dessa situação, as alarmantes disparidades de renda no país, apropriado disso, o atual sistema capitalista, o qual obtém como foco principal o lucro, estabelece mecanismos de separação de classes como área vip e camarotes, alicerçado aos altos custos de acesso a esses ambientes que demonstram a real e persistente distinção de classes brasileira. Dessa maneira, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2018 o índice de Gini - que mede a desigualdade e concentração de renda no país - apresentou a maior marca já registrada, 0,509, registro este inadmissível e lamentável ao democratismo brasileiro.
Em segunda análise, em conformidade com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a diferente localização dos grupos na estrutura social deriva da desigual distribuição de recursos e poderes de cada indivíduo. Nesse contexto, surge como intensificador dessa problemática o denominado etnocentrismo, conceito utilizado, infelizmente, por um grupo de pessoas que acreditam obter hábitos, condutas e atitudes superiores. Desse modo, os próprios cidadãos, lamentavelmente, buscam segregar-se de forma intencional o que aumenta e favorece as diferenças entre grupos.
Torna-se, portanto, primordial a efetivação de medidas capazes de mitigar essa problemática. Nesse sentido, de acordo com o político Nelson Mandela, “a maior arma para mudar o mundo é a educação”. Logo, o Governo Federal como precursor do bem comum, deve propiciar aos jovens, futuro da Nação, um ensino de qualidade por meio de investimentos financeiros para capacitação de professores e melhorias em infraestrutura escolar. Espera-se, com isso, contribuir para formação de uma geração com maior perspectivas que utilizem dessa ferramenta para mudar o rumo da atual estrutura social, como também, caminhar em rumo a uma sociedade mais digna e igualitária conforme prescrito na Constituição Federal brasileira.